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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Tecnologias na escola Palestra de Pierre Levy



SEGUNDA-FEIRA, 2 DE JULHO DE 2012


Tecnologias na escola: Pierre Lévy 

prevê substituição do livro didático e do caderno 

por computadores e tablets nas salas de aula

As mudanças tecnológicas tão aceleradas do mundo moderno vão 
chegar de vez à sala de aula e é bem possível que computadores, 
tablets e outras plataformas substituam o livro didático e o caderno. 
A previsão é do sociólogo e professor da Universidade de Ottawa, 
Canadá, especialista em internet, que participou do recente
 5º Congresso Internacional da Rede Católica de Educação, em Brasília.

Lévy: "os alunos do futuro serão pessoas criativas, abertas e colaborativas"

















“É difícil dizer o que será a civilização no futuro. 
Aquilo que vamos construir não é imaginável agora. 
Nós estamos em um momento de grande transformação cultural”, 
avalia o especialista. Ele não descarta, no entanto, 
que as crianças continuem aprendendo habilidades 
básicas do mundo pré-digital, como a escrita à mão. 
“A priori, eu diria que é importante ensinar a escrever a mão. 
É importante manter isso assim como fazer o cálculo mental, 
apesar de todo mundo ter calculadora”, defende.

Para Lévy, mudarão os materiais pedagógicos e mudarã
o as competências dos estudantes. “Os alunos do futuro 
serão pessoas criativas, abertas e colaborativas. Ao mesmo tempo,
 serão capazes de se concentrar com uma mente disciplinada. 
É necessário equilibrar os dois aspectos: a imensidão das
 informações disponíveis, colaborações e contatos; com
 (a capacidade de) planejamento, realização de projetos,
 disciplina mental e concentração”.

O sociólogo defende o uso das redes sociais para ensino
 e aprendizagem. Ele mesmo obriga os seus alunos a criarem
 grupos no Facebook, postarem textos ou vídeos e participarem
 de grupos de discussão. “O Facebook é apenas uma das mídias
 sociais em um contexto de participação. Não são as novas
 mídias que terão impacto negativo. São as pessoas que postam
 coisas negativas. É como se perguntar qual o impacto negativo
 da linguagem porque tem muita mentira. Não é a linguagem
 que tem impacto negativo, são os mentirosos!”, comparou.

Pierre Lévy acredita que a nova cultura baseada na informática
 e a economia do conhecimento impliquem novas formas
 de sociabilidade: ambientes mais colaborativos, em rede
 e autoorganizados formando uma memória coletiva.

Essas transformações exigirão habilidades que precisam
 ser ensinadas como a capacidade dos alunos em avaliar
 as fontes de informação, identificar orientações,
 ter atitude crítica quanto aos conteúdos.

Ao ser indagado pela Agência Brasil se o país, com baixo
 índice de aprendizagem generalizado e ainda com número
 elevado de adultos analfabetos, conseguirá formar seus
 estudantes com essas capacidades Pierre Lévy foi otimista:
 “Eu fico sempre surpreso ao ver até que ponto os brasileiros
 têm uma ideia negativa do seu próprio país. Primeiramente,
 vocês estão se transformando na quinta potência econômica
 do mundo, com uma taxa de crescimento muito elevada.
 Sim, tem analfabetismo, mas, apesar disso, há um esforço
 muito importante focado na educação, e o que eu vejo
 sempre que venho para cá é um monte de pessoas
 dedicadas para trabalhar na educação.”

Para o sociólogo, o Brasil está ciente de que o futuro
 do país está no investimento na educação.
 “Não fiquem desesperados e continuem com
 esse entusiasmo extraordinário”, completou. 
Lévy reconhece que os problemas existem, 
mas ressalta que eles têm que ser resolvidas 
com “as ferramentas de hoje e com a visão do futuro”.
Reportagem de Gilberto Costa, com edição de Lana Cristina/Agência Brasil

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