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sábado, 17 de setembro de 2011

A origem da discordia entre Arabes e Judeus

A origem da discórdia entre Árabes e Judeus
Fonte: http://veja.abril.com.br/historia/israel/especial-discordia-familiar-arabes-judeus.shtml
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Edição Especial
Revista VEJA, maio de 1948
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Irmãos de sangue e parceiros no ódio, árabes e judeus
digladiam-se na Terra Santa desde o final do século XIX. É um
trágico e visceral embate que tem tudo para acabar mal

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No olho da rua: Abraão obedece Sara e expulsa Agar e o pequeno Ismael de sua morada; começava a saga do povo árabe
 
Reza o Velho Testamento que Abraão recebeu de Deus, por volta dos 75 anos de idade, o chamado para se mudar de mala e cuia para os rincões de Canaã, com a promessa de que seus descendentes dariam origem ali a uma grande nação. Dez anos depois, porém, já estabelecido na nova terra, o longevo migrante ainda não havia conseguido gerar a tão esperada prole. Sara, a esposa, o instigou a desposar sua serva, a egípcia Agar, para fazer valer o desígnio divino – união que produziu o menino Ismael. Quando o rapagote completava seu 13º aniversário, Abraão, já com 99 anos, teve outro encontro com Deus, que reiterou a promessa feita anteriormente e garantiu que a posteridade de Abraão sairia das entranhas de Sara. Dito e feito: no ano seguinte veio ao mundo Isaac, filho do centenário porém fecundo patriarca.
Na festa de apresentação de Isaac, contudo, Sara viu o primogênito zombando do caçula, e ordenou ao marido que expulsasse Agar e Ismael de seus domínios. A idéia de desterrar o sangue do seu sangue não agradou a Abraão, que apenas levou a cabo a ação por ter a garantia de Deus que seu filho com a escrava também teria um destino fabuloso, iniciando outra grande nação. Assim, fornecendo um pão e um odre de água a Agar e Ismael, o patriarca mostrou-lhes o caminho da rua logo na manhã seguinte. Ambos erraram por algum tempo pelo deserto da Bersabéia, até que Ismael se fixou no deserto da Arábia, produzindo doze filhos – as doze tribos ismaelitas, ancestrais do povo árabe. Do outro lado da família, em Canaã, seu irmão Isaac teve como prole Esaú e Jacó. Os doze herdeiros deste último (rebatizado mais tarde de Israel) compuseram as doze tribos que deram origem ao povo hebreu.
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A primeira 'Aliyah', no século passado:uma longa marcha rumo à Terra Santa
Milênios depois da desavença fundadora entre árabes e judeus, a cizânia entre irmãos voltou a explodir de forma figadal na Palestina, território que engloba a terra mitologicamente prometida por Deus a Abraão. O cenário bélico que hoje se vê no recém proclamado estado de Israel é resultado de uma série de conflitos que remontam ao terceiro quarto do século passado, quando a ideologia sionista, que defendia a criação de um estado judeu independente na Palestina, começou a se propagar pelo mundo e levar os judeus em comboio de volta para o Oriente Médio. Por volta de 1880, antes mesmo que Theodore Herzl organizasse as idéias sionistas em livros e congressos, os primeiros imigrantes já desembarcavam na Palestina, então uma província do Império Otomano, na primeira das muitas ondas de imigração hebraica – movimentos conhecidos como Aliyah, ou "ascensão".
Com elas, em pouco mais de 30 anos, o número de judeus na Palestina quase quadruplicou: de 24.000 em 1881 para 85.000 em 1914. A maioria desses pioneiros chegava em fuga do império russo, onde reinavam o anti-semitismo e os temíveis pogroms, ataques praticamente oficializados contra as minorias. Os imigrantes judeus se enraizaram no Oriente Médio em comunidades agrícolas, em terrenos comprados de senhores de terras otomanos e árabes. Mesmo estabelecida de forma legal, a presença dos pioneiros causou desde o primeiro dia uma tensão latente entre judeus e árabes palestinos. Assaltos destes últimos contra assentamentos hebreus levaram seus líderes a montar, por volta de 1910, uma força de defesa, batizada Hashomer (guardiões), que viria a ser o embrião do exército judeu.
O ápice das hostilidades - Com a eclosão da Grande Guerra, em agosto de 1914, milhares de árabes e judeus, colocando-se do lado das forças aliadas, pegaram em armas na esperança de que o domínio otomano na Palestina chegasse ao fim. O clima beligerante fortaleceu o sentimento nacionalista dos árabes, que ganhou ainda mais corpo depois da ira generalizada que se sucedeu ao anúncio da Declaração de Balfour, em 1917 – na qual a Grã-Bretanha afirmava estar pronta para apoiar a criação do estado judeu na Palestina, possibilidade jamais admitida pelos árabes. Com o fim da guerra e a concessão do mandato na Palestina à potência européia, uma escalada de violência tomou conta da região, para desespero dos súditos da rainha, perdidos em meio ao fogo cruzado entre os locais. Ataques de árabes a judeus, como o de Nabi Musa, na Cidade Velha de Jerusalém, em 1920, ou em Jaffa, no ano seguinte, ou ainda no chamado massacre de Hebron, em 1929, terminavam com dezenas de mortos e feridos.
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Os imigrantes judeus no navio 'Exodus': barrados pelos britânicos na Palestina
Mesmo com as restrições da Grã-Bretanha à entrada de judeus na Palestina, oficializada gradativamente nos diversos Livros Brancos (políticas que limitavam a imigração), o plano sionista de montar seu estado não arrefeceu – pelo contrário. Em compensação, na mesma medida seguiram as campanhas árabes, insufladas por líderes religiosos como o Grande Mufti de Jerusalém e milícias como a Mão Negra. Eram respondidas à altura por ataques de grupos armados judeus, notadamente o Irgun. As hostilidades alcançaram seu ápice na chamada Revolta Árabe na Palestina, iniciada em 1936. Os revoltosos queriam a evacuação dos britânicos, eleições imediatas e o fim da imigração judaica. A violência levou à formação da Comissão Peel, que, ao final de um ano de deliberações, recomendou a partilha da Palestina.
O plano, no entanto, foi recusado pelo governo bretão e pelos árabes, e a onda de combates, que havia diminuído, recrudesceu até 1939, quando a revolta foi encerrada por seus líderes sem atingir seu objetivo. Apesar disso, seus mentores consideraram que o movimento teve como mérito fortalecer a identidade árabe-palestina – contra, obviamente, os inimigos comuns (britânicos e judeus). Desde então, a violência entre os antagonistas tem sido incessante. Ataques-surpresa de ambas as partes (não raro covardes, vitimando populações civis) vêm ocorrendo em ritmo espantoso desde o início desta década.
Não houve pausa nem mesmo durante a eclosão da II Grande Guerra, travada entre os Aliados e o Eixo – que representou, em meio à escaramuça na Palestina, um novo fardo para os judeus, atormentados pelos horrores nazistas e sua infausta "solução final". Agora, com a definitiva saída de cena da Grã-Bretanha e a proclamação do estado de Israel, árabes palestinos e judeus engalfinham-se de frente, sem intermediários, em um bate-barba consangüíneo como não se via havia muito tempo. Um choque de ódio que remonta, mais do que ao litígio entre Ismael e Isaac, ao serpentífero confronto de uma outra dupla de irmãos, Caim e Abel. Que esta história tenha um final diferente.
No mundo extra-bíblico há referências dum povo chamado literalmente "vagabundos das areias" (Ara-Bar). Esse era o vocábulo com o qual o povo egípcio designava todos os nômades semitas que giravam em volta do Egito, que depois darão origem aos árabes e hebreus. Outros antropólogos defendem que os dois povos são ao mesmo tempo os 'habiru', nômades presentes em todo lugra no Oriente Próximo, entre 2000 e 2200 antes da Era Comum. A partir deste ponto de vista, portanto, é difícil separar a etnia dos árabes e hebreus. São ambos povos semitas, nascidos no mesmo contexto.
No mundo bíblico existe a figura de Abraão, o pai espiritual das três religiões monoteísticas, judaísmo, islamismo e cristianismo. Da história de Abraão se deduz também que ele não é só pai espiritual de hebreus e árabes, mas também pai carnal. A Bíblia conta, em Gênesis 16, que Abraão não podia ter filhos com sua esposa, Sara. Esta, recorrendo a uma espécie de prática moderna da "barriga de aluguel" pede ao marido que tenha um filho com a escrava Agar. Nasce então Ismael. Mais tarde também Sara conseguirá ter um filho com Abraão, Isaac (Gn 18,13ss). O texto de Gênesis conta que houve conflitos entre Agar e Sara e por causa disso Abraão teve de mandar embora Agar, contra sua vontade, com o filho Ismael (Gn 21). Os dois vão então para o deserto, porém diz o autor sagrado, que serão sempre ajudados por um anjo enviado por Deus. E além disso, coisa muito importante, um anjo conforta Agar dizendo que também Isamael vai dar origem a um grande povo. Isso que dizer que temos duas alianças, uma feita com Abraão e sua descendência (Isaac, Jacó...) e a uma simile com Isamael e seus descendentes (Gn 21,18), os muçulmanos.
Depois, na sequência da narração bíblica, se dá muita ênfase na Aliança com os patriarcas, mas também não deixa de ser mencionado o sucesso da outra aliança, com Ismael: Isaac encontra o irmão Ismael, na vida adulta; Ismael participa ao enterro de Sara e também de Abraão (Gn 25,9); quando Ismael morre é descrito como um justo (Gn 25,17).
Quem diz que os árabes descendem de Ismael é o próprio Maomé. Podemos supor que uma separação entre os dois povos tenha acontecido quando uma parte da descendência de Abraão vai para o Egito, onde vive pacificamente (Gn 46). Depois, quando a situação no Egito mudou, com Moisés o povo sai do Egito e volta para a Palestina, onde formam uma realidade política.
Da parte árabe, os vestígios arqueológicos dizem que os primeiros reinos são do V século antes da Era Comum, com os Mineus e os Sabeus, na Penísula Arábica, onde se estabilizaram tribos nômades.
Em conclusão, há vários elementos que testemunham a origem comum, antropologicamente falando, dos dois povos. A raiz comum se dá também no campo religioso. Prova disso é que o próprio Moisés e evocado até mesmo no mome dos Muçulmanos (Moslen), que reconhecem Moisés como Profeta.
Para saber mais, clique em Mais informações, abaixo.


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Reza o Velho Testamento que Abraão recebeu de Deus, por volta dos 75 anos de idade, o chamado para se mudar de mala e cuia para os rincões de Canaã, com a promessa de que seus descendentes dariam origem ali a uma grande nação.
Dez anos depois, porém, já estabelecido na nova terra, o longevo migrante ainda não havia conseguido gerar a tão esperada prole.
Sara, a esposa, o instigou a desposar sua serva, a egípcia Agar, para fazer valer o desígnio divino – união que produziu o menino Ismael.
Quando o rapagote completava seu 13º aniversário, Abraão, já com 99 anos, teve outro encontro com Deus, que reiterou a promessa feita anteriormente e garantiu que a posteridade de Abraão sairia das entranhas de Sara.
Dito e feito: no ano seguinte veio ao mundo Isaac, filho do centenário porém fecundo patriarca.
Na festa de apresentação de Isaac, contudo, Sara viu o primogênito zombando do caçula, e ordenou ao marido que expulsasse Agar e Ismael de seus domínios.
A idéia de desterrar o sangue do seu sangue não agradou a Abraão, que apenas levou a cabo a ação por ter a garantia de Deus que seu filho com a escrava também teria um destino fabuloso, iniciando outra grande nação.
Assim, fornecendo um pão e um odre de água a Agar e Ismael, o patriarca mostrou-lhes o caminho da rua logo na manhã seguinte.
Ambos erraram por algum tempo pelo deserto da Bersabéia, até que Ismael se fixou no deserto da Arábia, produzindo doze filhos – as doze tribos ismaelitas, ancestrais do povo árabe.
Do outro lado da família, em Canaã, seu irmão Isaac teve como prole Esaú e Jacó. Os doze herdeiros deste último (rebatizado mais tarde de Israel) compuseram as doze tribos que deram origem ao povo hebreu.
Um choque de ódio que remonta, mais do que ao litígio entre Ismael e Isaac, ao serpentífero confronto de uma outra dupla de irmãos, Caim e Abel. Que esta história tenha um final diferente.
Um ambicioso estudo genético, realizado em conjunto por cientistas dos EUA, de Israel, da Itália, Grã-Bretanha e África do Sul, colheu amostras do DNA de 1.300 homens das duas etnias em 30 países.
Estudando o cromossomo Y –aquela herança genética que é passada apenas de pai para filho sem nenhuma modificação –, obteve-se a confirmação científica de que todas as comunidades judaicas espalhadas hoje pelo mundo têm forte parentesco não apenas entre si, mas também com palestinos, sírios e libaneses.
A pesquisa revela que todos esses povos possuem um ancestral comum: uma população que teria habitado o Oriente Médio há quatro mil anos.
O estudo também mostra que todas essas comunidades judaicas conseguiram manter praticamente intacta sua identidade biológica, mesmo tendo migrado para regiões tão distintas do planeta.
Segundo o chefe do Departamento de Estudos Judaicos da Universidade de Nova York, essa pesquisa corrobora os relatos bíblicos, segundo os quais uma variedade de famílias do Oriente Médio se originou de um mesmo patriarca.

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