Meus pets Uma Cronologia de Amor e Aprendizado
Meus pets
Meus Pets e Eu – Uma Cronologia de Amor e Aprendizado
A história da minha vida pode ser contada através das patas, asas e cascos que cruzaram o meu caminho. De companheiros rebeldes a guardiões fiéis, cada um deixou uma marca na minha biografia.
1. O Início Caótico: Bodri e Cinci (Meus 7 aos 17 anos)
Tudo começou com o Bodri, meu primeiro cão. Ele não foi escolhido; foi o destino (ou um vizinho) que o jogou no nosso quintal. Com seu pelo grosso e rebuscado, típico de cães com sangue pastor, ele carregava uma rebeldia natural. Vivia arranhando a porta, exigindo sua liberdade de ir e vir, um espírito livre que marcaria minha infância.
Paralelamente, dos meus 7 aos 14 anos, tivemos o Cinci, um gato tuxedo (preto e branco). Fazendo jus à inteligência da sua coloração, ele era um "gato-cachorro", astuto e presente, dividindo o território com a energia bruta do Bodri.
2. A Tragédia de Milis (Meus 8 anos)
Entre cães e gatos, havia a Milis. Comprada na feira como um pinto de um dia, ela cresceu para se tornar uma galinha doméstica de personalidade forte. Longe de ser apenas uma ave de quintal, ela corria atrás do Bodri, subvertendo a ordem natural. Adorava carne moída, um luxo para uma galinha. Nossa amizade durou dois anos, até o dia em que a maldade humana interveio: um pedreiro a furtou e ela virou refeição. Foi meu primeiro contato brutal com a perda; aos 8 anos, chorei copiosamente a morte da minha amiga de penas.
3. Lições com Cascos (Meus 10 anos)
Tive também meus momentos de aprendizado tortuoso. Um Cágado (Jabuti) habitava o jardim. Na minha impaciência infantil, eu não compreendia seu ritmo lento e estoico; queria que ele fosse rápido, arrastando-o numa tentativa falha de mudar sua natureza. Tivemos também uma Tartaruguinha Aquática, cuidada com zelo pela minha mãe. Construímos um laguinho para ela, tentando imitar seu habitat, mas o chamado da natureza foi mais forte e ela fugiu, deixando o mistério de seu destino.
4. A Dinastia dos Saguis: Chico e Chica (Meus 12 aos 15 anos)
Talvez a época mais mágica e dolorosa. O Chico e a Chica, saguis-de-tufos-brancos, não eram prisioneiros; eram reis do nosso jardim. Viviam em liberdade, pulando entre as árvores e roendo os caules dos pessegueiros. O amor deles frutificou numa verdadeira dinastia, chegando a mais de 20 membros. Eram extremamente afetuosos, descendo das árvores para comer nas mãos da minha mãe.
O fim dessa era foi devastador. Uma epidemia silenciosa os dizimou, um a um, dos mais jovens até chegar ao patriarca Chico. A imagem que ficou gravada em mim não foi apenas a morte deles, mas a visão do meu pai chorando. Ver a dor dele me ensinou sobre a profundidade do vínculo que podemos ter com essas pequenas vidas.
5. Flica e a Continuidade (Meus 14 aos 20 anos)
A alegria voltou com a Flica, um presente da minha irmã. Uma Fox Terrier Paulistinha legítima: elétrica, ágil e saltadora. Ela pulava alto para pegar comida no ar, uma acrobata nata. Ela se tornou a companheira do velho rebelde Bodri, e juntos tiveram dezenas de filhotes. Dessa união, escolhemos o Tippy (que ficou comigo dos 18 aos 28 anos) para continuar o legado, permanecendo com meus pais como uma lembrança viva daquela época.
6. O "Desastre": Natalia (Meus 24 aos 25 anos)
Já adulto e casado, tentamos ter o nosso próprio cão. Foi a Natalia, uma Dálmata. Infelizmente, foi uma experiência traumática para todos. A raça, que exige atividade intensa, não se adaptou ao nosso espaço e rotina. Ela sofria com o sol, teve insolação, alergias a ração, e infestações intermináveis de pulgas e carrapatos. Teimosa e difícil de treinar, o limite chegou quando ela avançou sobre o berço do meu filho primogênito recém-nascido. Tivemos que doá-la ao veterinário. A experiência foi tão exaustiva que decidimos: "Nunca mais teremos um pet."
7. O Retorno Protetor: B.B. (Meus 40 aos 50 anos)
A vida, porém, nos forçou a mudar de ideia. Após um assalto à nossa casa, a necessidade de segurança falou mais alto. Quebramos o jejum de pets e aceitamos a B.B., uma Rottweiler vinda de um criador. Diferente da experiência anterior, a B.B. foi a redenção. Forte, equilibrada e leal, ela cumpriu sua missão de guardiã e protetora do lar por uma década, restaurando nossa confiança nos cães.
8. A Dupla Improvável: Nona e Ohana (Meus 51 aos 60 anos)
Com os filhos já crescidos, a casa foi dominada por uma dupla inesquecível. A Ohana, outra Rottweiler, chegou trazendo doçura. Na adolescência, teve um crescimento desproporcional das pernas, ganhando o apelido carinhoso de "Bambi", desengonçada e amável. Mas quem mandava na casa não era a gigante. Era a Nona, uma Dachshund (salsicha). Fazendo jus à personalidade destemida e "mandona" da raça, a pequena Nona assumiu a liderança absoluta. Era cômico e tocante ver a imensa Ohana submeter-se docilmente à autoridade da pequena Nona. Elas foram o meu último grande capítulo de convivência canina, encerrando um ciclo de 60 anos de aprendizados, amores e perdas.










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