Capítulo 21- A Energia Fotovoltaica na Década de 80
Capítulo 21- A Energia Fotovoltaica na Década de 80
Capítulo 21- A Energia Fotovoltaica na Década de 80
Nos anos 80, o Brasil respirava a modernidade do rock nacional, usava ombreiras e discutia a inflação. Mas, em termos de energia, ainda vivíamos no passado. Falar em "energia solar" naquela época era visto como coisa de ficção científica — ou coisa de hippie que queria viver no mato.
Eu, no entanto, via com outros olhos. Talvez fosse o sangue da prima Maria Telkes correndo nas veias, ou talvez fosse apenas o olhar prático de um engenheiro que não aceitava o desperdício.
Enquanto a maioria das pessoas via o sol tropical apenas como um convite para a praia, eu o via como um reator nuclear gigantesco, gratuito e seguro, pairando sobre nossas cabeças, implorando para ser utilizado.
A energia fotovoltaica na década de 80 era uma aventura cara e técnica.
Não existiam essas placas chinesas baratas que hoje compramos na internet. Os módulos eram pesados, ineficientes (aproveitavam muito pouco da luz) e custavam uma fortuna em Dólar. Eram tecnologias restritas a satélites ou a projetos de telecomunicações em lugares remotos — onde nem a rede elétrica chegava.
Lembro-me de estudar os esquemas, os inversores rudimentares e os bancos de baterias de chumbo-ácido (pesadíssimos e perigosos). Era uma engenharia "mão na graxa". Não havia plug-and-play. Se você quisesse um sistema solar, tinha que calcular cada Ampère, cada bitola de fio, ou corria o risco de incendiar a casa ou ficar no escuro no meio do Jornal Nacional.
Meus colegas muitas vezes riam. "Para que isso, Jorge? A energia da hidrelétrica é barata!".
Eles não entendiam. Não era apenas sobre custo; era sobre autonomia. Era sobre a elegância de transformar fótons em elétrons sem barulho, sem fumaça e sem inundar florestas.
Hoje, quando caminho por Indaial e vejo os telhados das casas cobertos por placas azuis e pretas, sinto uma mistura de "eu avisei" com satisfação profunda.
O que era excentricidade nos anos 80 virou necessidade em 2025. O futuro que eu desenhava em cadernos e sonhava acordado finalmente chegou à loja de material de construção da esquina.
Eu não fiquei rico vendendo painéis, nem construí um império solar. Mas durmo com a consciência tranquila de quem soube, décadas antes, para onde o mundo giraria. O sol sempre teve razão.
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