Capítulo 40: O Café da Manhã da Infância da Tininha
Capítulo 40: O Café da Manhã da Infância da Tininha O sabor da memória e a simplicidade do afeto. Há histórias que a gente escuta com os ouvidos e há histórias que a gente escuta com o coração. As memórias da infância da Tininha sempre foram narradas de uma forma que me fazia sentir como se eu estivesse lá, sentado à mesa com ela, décadas antes de nos conhecermos. Entre todas as lembranças que ela compartilhava, o café da manhã tinha um lugar sagrado. Era na fazenda do meu sogro, o Coronel Mandú, um banquete digno de hotel cinco estrelas, como estes brunches sofisticados que vemos no Instagram hoje em dia, mas com sustança, como se diz. Era a riqueza da simplicidade. Ela me descrevia a mesa posta com uma reverência quase religiosa. O cheiro do café sendo coado na hora — no coador de pano, claro, porque segundo ela (e quem sou eu para discordar?), o filtro de papel rouba a alma do grão — invadia a casa e servia como o despertador oficial da família. Ela falava do pão fresco. Não o p...