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Mostrando postagens com o rótulo Memórias de Kislány Dora

CBD 06 – Memórias de Kislány Dora: O Resgate nos Escombros

  CBD 06 – Memórias de Kislány Dora: O Resgate nos Escombros A Tragédia Pessoal Em meio às lembranças doces da infância, o documento traz um "flash" brutal da realidade da guerra, preenchendo uma lacuna dolorosa. Mamãe relata o momento em que a guerra lhe tirou sangue do próprio sangue. A Busca pelo Irmão Durante os bombardeios em Budapeste, uma notícia devastadora chegou: o prédio onde seu irmão estava havia sido atingido. O relato é seco, mas carregado de dor. Ela conta como, assim que foi possível caminhar pelas ruas (provavelmente após o cerco ou num intervalo de ataques), ela foi até lá. Entre as Ruínas Acompanhada de seu sogro (pai de János) e de uma senhora refugiada que morava com eles, eles foram revirar os escombros. A missão não era de salvamento, mas de despedida: foram resgatar o corpo de seu irmão. Este episódio mostra a face mais cruel do conflito — não a batalha dos soldados, mas a peregrinação das famílias para dar um enterro digno aos seus mortos em meio ...

CBD 05 – Memórias de Kislány Dora: A Sombra da História (Reis e Turcos) O Rei Árpád e a Coroa

  CBD 05 – Memórias de Kislány Dora: A Sombra da História (Reis e Turcos) O Rei Árpád e a Coroa CBD 05 – Memórias de Kislány Dora: A Sombra da História (Reis e Turcos) O Rei Árpád e a Coroa Dona Dora não contava apenas a sua história, mas a história de um povo. Neste relato, ela volta séculos no tempo para explicar a alma húngara. Ela fala de Árpád , o primeiro líder que unificou as tribos magiares e recebeu a coroa do Papa por converter os pagãos ao catolicismo. A "Santa Coroa Húngara" não é apenas um objeto para ela; é um símbolo vivo, levado em procissões solenes que ela testemunhou. A Herança Turca Com a lucidez de quem viveu em uma cidade de camadas históricas, ela explica por que Budapeste é cheia de "Banhos Turcos". Ela relembra a ocupação otomana secular que deixou essa herança arquitetônica e cultural, misturando-se à identidade húngara. O Padre Risonho Entre a história dos reis, surge a memória singela do padre da vila de Sinye . Como a igreja local só ...

CBD 04 – Memórias de Kislány Dora: O Paraíso Perdido de Sinye

 CBD04  CBD 04 – Memórias de Kislány Dora: O Paraíso Perdido de Sinye A Casa de Campo e os Cavalos Lipizzan Se as crônicas anteriores narraram a fuga, esta nos leva de volta ao "paraíso perdido" da infância de Dora. Ela descreve com vivacidade a propriedade da família em Sinyei Új Falú (hoje na Eslováquia). Era uma casa húngara antiga, de paredes grossas, onde a música do piano e as danças no grande salão ditavam o ritmo da vida. Mamãe recorda com orgulho da criação de gado e, especialmente, dos cavalos da raça Lipizzan — aqueles brancos, majestosos, conhecidos pela Escola Espanhola de Equitação de Viena. O Gêiser de Água Fria Uma das curiosidades mais fascinantes que ela relata é uma atração turística vizinha à propriedade: um "Gêiser de Água Fria". Diferente dos gêiseres vulcânicos, este jorrava água gelada da terra em intervalos regulares. Era um espetáculo natural que atraía visitantes e marcava a paisagem daquela região próxima às montanhas Tátra. A Vida no...

CBD 03 – Memórias de Kislány Dora: A Fuga e o Campo de Pocking

  CBD 03 – Memórias de Kislány Dora: A Fuga e o Campo de Pocking O Adeus à Hungria A decisão de partir não foi planejada; foi imposta pela sobrevivência. Dona Dora relata o momento em que deixamos tudo para trás. O apartamento, os móveis, a história... tudo coube em algumas malas. A fuga em caminhões militares e depois em trens lotados foi a nossa "Golgotha". Pocking e a UNRRA Chegamos à Alemanha, e depois à Áustria, como refugiados. O relato foca na vida no campo de Pocking, administrado pela UNRRA. A fome era uma constante, o frio doía nos ossos, mas a solidariedade entre os refugiados (muitos húngaros) mantinha a moral. Mamãe conta como protegia a mim e a Madalena, transformando a miséria do campo em uma aventura suportável para os olhos de uma criança. O Destino: Brasil Foi em Pocking que o destino começou a ser traçado. Entre boatos e esperanças, surgiu a possibilidade de emigrar. O Brasil apareceu no horizonte não como uma escolha turística, mas como a terra que acei...

CB02D Memórias de Kislány Dora O Natal no Porão e o Danúbio Congelado

  CBD 02 – Memórias de Kislány Dora: O Natal no Porão e o Danúbio Congelado O Cerco se Fecha   A guerra deixou de ser uma notícia de jornal e bateu à nossa porta em 1944. As memórias de minha mãe descrevem a ocupação alemã e a tensão crescente. Mas o terror real veio com os bombardeios. Aquele apartamento ensolarado no 4º andar tornou-se uma armadilha mortal. A Vida no Abrigo   "Descemos para o abrigo (pince)", ela conta. O porão do prédio tornou-se nossa casa. Ali, dezenas de famílias se amontoavam, ouvindo o silvo das bombas e o tremor da terra. Mamãe narra a dificuldade de conseguir leite para a pequena Madalena e o medo constante dos soldados russos que cercavam a cidade. O Rio de Gelo Uma das imagens mais fortes que ela descreve é o inverno rigoroso de 1944/45. O majestoso Danúbio congelou. Não era apenas o frio que assustava, mas o que ele trazia. O rio, que antes era via de passeios, tornou-se uma fronteira de medo e, paradoxalmente, uma rota de fuga desesperada p...