Capítulo 13 - O Roseiral da Tininha
Capítulo 13 - O Roseiral da Tininha Houve um tempo, antes de o horizonte se limitar às paredes do nosso quarto, em que o mundo da Tininha tinha o cheiro de terra molhada e o vermelho vibrante das pétalas. Ela sempre teve o que chamam de "dedo verde", mas sua verdadeira paixão era o roseiral. Não eram apenas flores; eram as filhas silenciosas que ela cultivava com uma paciência que hoje me comove lembrar. Ela sabia o tempo exato da poda, a quantidade certa de água e conversava com os botões como se fossem segredos prestes a serem revelados. O roseiral da Tininha era um espetáculo. Quem passava e via, não imaginava o trabalho que dava. E talvez aí esteja a grande ironia da vida. As rosas são a metáfora botânica perfeita da minha esposa. Elas são de uma beleza que impõe respeito. Têm cor, têm perfume, têm uma altivez régia. Mas, para serem o que são, convivem intimamente com os espinhos. Hoje, a fibromialgia é o espinheiro que cerca a Tininha. Aquelas mãos que antes manejav...