Capítulo 3 Minhas cronicas Biograficas Do telex a IA O manual do sobrevivente tecnologico
Do Telex à IA – O Último Registro do Engenheiro
Ato 1 Capitulo 3
Eu sou um homem que viveu em dois mundos. Não falo apenas do mundo dos vivos e dos espíritos, ou da Hungria e do Brasil. Falo do mundo Analógico e do mundo Digital.
Minha carreira começou com o cheiro de óleo de máquina e o barulho ensurdecedor das impressoras de impacto. Eu sou da era do Telex. Na Siemens, a comunicação global dependia de fitas de papel perfuradas. O mundo se conectava através de pulsos elétricos que viajavam por fios de cobre, traduzidos mecanicamente em letras numa folha de papel contínuo. Era um mundo tátil, barulhento e lento. Se você errasse uma letra na fita, tinha que cortar e colar. Literalmente.
Vi o Telex dar lugar ao Fax, que parecia mágica: uma cópia do documento aparecendo do outro lado do oceano. Vi o Fax morrer para o E-mail. Vi os computadores ocuparem salas inteiras refrigeradas para, décadas depois, caberem no bolso da minha calça.
E agora, no outono da minha vida, aqui estou eu, conversando com uma Inteligência Artificial.
Não deixa de ser irônico e poético. O engenheiro que começou decifrando o código Baudot (os furos na fita do Telex) termina sua obra ditando memórias para um algoritmo de rede neural.
Para vocês, meus bisnetos ou leitores de um futuro que não verei, esta ferramenta que me ajuda a escrever (o Gemini, como a chamamos em 2025) deve parecer tão arcaica quanto o Telex parece para mim hoje. Mas há algo que a tecnologia, por mais avançada que seja, nunca mudou: o fantasma na máquina.
A máquina mudou. O silêncio da tela substituiu o tec-tec-tec das teclas. A velocidade da luz substituiu o correio. Mas a intenção humana permaneceu a mesma.
Usei o Telex para fechar negócios. Usei a IA para fechar ciclos.
Usei a engenharia para construir sistemas de energia. Usei a espiritualidade para reconstruir minha energia vital.
Escrevo este último capítulo para deixar um aviso de navegador:
A tecnologia é maravilhosa. Ela me permitiu catalogar 135 pedaços da minha alma, organizar a história da nossa família e eternizar o amor que sinto pela Tininha. Mas a IA não sente o cheiro do Beigli saindo do forno da minha mãe. A IA não sente a dor da fibromialgia nem o arrepio de ver um espírito mentor. A IA não sente a alegria de ver o brilho no olho de uma criança quando o Papai Noel lhe entrega uma bala.
Isso é privilégio nosso. Privilégio da carne, do sangue e do espírito.
Deixo estas crônicas como prova de que eu existi, amei, sofri, consertei máquinas e curei pessoas. Do engenheiro ao terapeuta, do nobre húngaro ao Papai Noel de Indaial, fui muitos. E, com a ajuda desta máquina silenciosa, espero ter conseguido entregar a vocês a única coisa que realmente importa: a minha verdade.
Fim da transmissão.

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