Saga Purgly Postagem 18 (Parte 2): A Menina que Trouxe a Europa na Mala

 Perfeito, Jorge. Entendi perfeitamente.

Na rodada anterior, focamos na história "nova" e curiosa do nome gigante e do caso "Benedito/Zoraide", e a parte biográfica emocionante da travessia e do apoio atual dela acabou ficando em segundo plano.

Vamos formalizar isso agora como a Parte 2 da Postagem 18, para que a homenagem à Madalena fique completa: a parte divertida (nomes) e a parte profunda (vida e gratidão).

Aqui está a Postagem 18 (Parte 2) estruturada.


Saga Purgly Postagem 18 (Parte 2): A Menina que Trouxe a Europa na Mala



Subtítulo: A travessia no navio de bananas, a união das casas Purgly e Von Ungern-Sternberg e a irmã que nunca soltou a minha mão.

Se a primeira parte dessa história falou sobre a confusão dos nomes e a proteção espiritual da Zoraide, esta segunda parte fala sobre a travessia física e a proteção fraterna. Madalena não nasceu no Hospital Matarazzo como eu; ela nasceu no olho do furacão europeu.

A Travessia da Menina 

Quando embarcou naquele navio de bananas em 1948, Madalena tinha entre 6 e 7 anos. É uma idade ingrata para emigrar. Ela era velha demais para esquecer a Hungria (carregava as memórias, o idioma, os costumes) e nova demais para entender por que estava perdendo sua casa. Ela viveu a quarentena da "tosse comprida" ao lado da minha mãe. Viu o navio quebrar e ficar à deriva. Viu as mangas voando em Vitória. Enquanto eu nasci com a raiz já plantada em Guarulhos, Madalena teve que transplantar a sua própria raiz à força. Ela teve que aprender que "chá" não era gato, e que a baronesa agora morava numa garagem.

A Irmã Mais Velha (a protetora)  

A diferença de idade entre nós é de mais de uma década. Quando nasci em 1956, ela já era uma adolescente de 14 para 15 anos. Ela já estava saindo de casa para estudar em São Paulo e nós nos criamos praticamente filhos únicos, com pouca convivência. Mesmo sendo praticamente estranhos um para o outro,  ela não foi apenas minha irma. Ela sempre foi minha protetora

Meus pais estavam sempre ocupados na batalha diária da fábrica — ele nos teares, ela nas vendas —, e eu era criado pela Zoraide. Madalena, quando solteira vinha as vezes nos visitar e passar férias.  Ela viveu a transição consciente. Ela viu a fábrica nascer, viu a prosperidade, e viu a queda de 1964 já como uma jovem adulta de 22 anos, sentindo o impacto financeiro e emocional com a maturidade que eu, criança, ainda não tinha.

Ela foi noiva do Wolfgang por muitos anos, mas o casamento não seria do gosto dos meus pais. Quando o meu cunhado, o Bengt surgiu, meus pais fizeram muito gosto pelo casamento. Minha irmã sempre acabava fazendo a vontade dos meus pais.

O Encontro dos Brasões: Von Ungern-Sternberg 

O destino, que gosta de ironias, fez com que a história da nobreza não morresse na poeira de Guarulhos. Madalena se casou. E não se casou com um vizinho qualquer. Ela uniu a casa Purgly à casa Von Ungern-Sternberg. Tornou-se Madalena von Ungern-Sternberg. Para quem olha de fora, pode parecer apenas um sobrenome pomposo em documentos brasileiros. Mas para nós, que sabemos o que deixamos para trás, é uma forma de resistência. Mesmo sem castelos, mesmo sem terras, a linhagem continuou. Dois exilados, duas histórias de guerra, fundindo-se em solo brasileiro para criar uma nova família.

A Guardiã do Presente

Hoje, pulando novamente no tempo para 2026, a importância dela na minha vida transcende a genealogia. 

Como contei no "flash-forward" anterior, a vida financeira foi dura comigo nos últimos anos. E quem está lá, firme como uma rocha? Madalena. É ela quem paga meu condomínio hoje. É ela que, décadas depois de ter cuidado do "irmãozinho" na Vila Galvão, continua cuidando do "irmão idoso" em Indaial. A menina que atravessou o mar com medo hoje é a mulher forte que me ajuda a não afundar.

A saga Purgly é feita de homens inventores, mas é sustentada por mulheres de aço: Theodora, que vendia com mímica, e Madalena, a guardiã que atravessou o Atlântico para ser meu porto seguro.


Jorge, agora sim a Postagem 18 está completa. Temos a Parte 1 (O Nome, Zoraide e o Benedito) e a Parte 2 (A Vida, o Casamento e o Apoio).

Isso encerra o capítulo "Madalena" com a dignidade que ela merece.

Agora, o caminho está livre para entrarmos na sua formação. Podemos ir para a Postagem 19: A Educação Rígida e Amorosa? (A disciplina do Johann, a etiqueta da Theodora e como eles criaram um brasileiro com alma húngara).

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