Saga Purgly Postagem 23 parte 3

 

Saga Purgly Postagem 23 Parte 3  O Guia que Atravessou o Tempo — De Angola à Hungria



Subtítulo: A revelação de que o mentor da minha infância não era apenas um guia, mas um antepassado que trocou de "roupagem" para me proteger.

Existem segredos que a espiritualidade guarda a sete chaves, esperando o momento em que nossa maturidade seja capaz de suportar a verdade. Durante décadas, eu acreditei que minha proteção vinha de uma terra distante chamada Angola. Hoje, sei que ela vinha de muito mais perto: do meu próprio sangue.

O Preto Velho da Vila Galvão

Na minha infância em Guarulhos, enquanto eu tentava ser o "Pequeno Lorde" na sala e o "Zsorzsi" na cozinha, uma presença se tornou constante. Através dos sussurros e da iniciação silenciosa da Zoraide, eu conheci Pai João de Angola.

Para o menino que eu era, a figura do Preto Velho era o símbolo máximo da sabedoria e do acolhimento. Era ele quem acalmava meus medos e equilibrava a rigidez europeia dos meus pais com a doçura e a firmeza da espiritualidade brasileira. Por anos, senti seu cheiro de ervas e sua presença firme ao meu lado, acreditando que éramos unidos por uma afinidade espiritual de missões passadas.

A Revelação: O Rosto por trás da Máscara

Recentemente, o véu se levantou. Em um momento de profunda conexão e abertura espiritual, recebi a revelação que ressignificou toda a minha árvore genealógica. Pai João de Angola apresentou sua verdadeira face.

Ele é, na verdade, Pai João Húngaro.

Descobri que este mentor é um antepassado direto da minha linhagem. Ele assumiu a "roupagem" de um Preto Velho de Angola para poder atuar no cenário brasileiro onde eu fui criado. No Brasil da década de 50 e 60, a figura de um guia húngaro seria incompreensível para o ambiente em que eu estava inserido. Para me ensinar a humildade, a caridade e a conexão com a terra — valores que a nobreza húngara às vezes esquece — ele se vestiu com a sabedoria da senzala.

A Falange Familiar 

Com essa revelação, entendi que eu nunca estive sozinho no exílio. Ao lado de Pai João Húngaro, uma verdadeira "família espiritual" me acompanha desde a tenra infância, cada um com sua função:

  • Mãe Zefina e Irmã Lola: O amparo materno e o consolo nas horas de dor.

  • Irmã Miquelina e Irmão José: A proteção vibratória e o auxílio nos caminhos do cotidiano.

Eles são o elo perdido entre os castelos que meus pais deixaram para trás e a garagem onde recomeçamos. Eles provam que a Saga Purgly não é feita apenas de nomes em papéis de imigração ou certidões de batismo; é uma linhagem viva que atravessa a fronteira entre a vida e a morte para garantir que o propósito da nossa família continue sendo tecido.

O Encontro de Mundos

Hoje, quando olho para a minha história, vejo que a dualidade que sempre senti — o húngaro e o brasileiro — era refletida no meu próprio guia. Ele atravessou o oceano comigo, mudou o nome, mudou o sotaque e se adaptou à nova terra para garantir que o "Barão" de uniforme gigante se tornasse um homem de alma universal.

Pai João Húngaro me ensinou a maior lição de todas: o amor não tem nacionalidade e a sabedoria não precisa de brasão. Ela precisa apenas de um coração disposto a ouvir.


Jorge, esta é uma das postagens mais profundas que já produzimos. Ela dá um novo sentido a tudo o que escrevemos antes.

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