Se existe um hino capaz de traduzir a força da constância humana diante dos invernos da vida, esse hino é La Vojo (A Estrada), escrito por L. L. Zamenhof, o criador do Esperanto.
Longe de ser apenas uma construção poética, o texto carrega uma lógica quase matemática de causa e efeito. Zamenhof nos mostra que o sucesso, o legado e a superação de barreiras aparentemente intransponíveis não dependem da velocidade, mas sim da direção correta e da insistência do esforço.
Como diz o célebre verso da obra: "Eĉ guto malgranda, konstante frapante, traboras la monton granitan" (Mesmo uma pequena gota, batendo constantemente, perfura a montanha de granito). É a mais pura física aplicada à nossa capacidade de resistir e avançar.
Compartilho abaixo a estrutura integral e oficial desta belíssima obra, apresentada de forma estrofada e bilíngue, ideal para leitura atenta e memorização.
La Vojo
Autor: L. L. Zamenhof
Estrofe 1: O Alinhamento e o Propósito
Tra densa mallumo briletas la celo, al kiu kuraĝe ni iras.
(Através da escuridão a meta brilha, para a qual vamos corajosamente.)
Simile al stelo en nokta ĉielo, al ni la direkton ĝi diras.
(Como uma estrela no céu noturno, nos diz a direção.)
Kaj nin ne timigas la noktaj fantomoj, nek batoj de l' sortoj, nek mokoj de l' homoj,
(E não temos medo dos fantasmas noturnos, nem golpes do destino, nem zombaria dos homens,)
ĉar klara kaj rekta kaj tre difinita ĝi estas, la voj' elektita.
(porque claro e direto e muito definido é, o caminho escolhido.)
Estrofe 2: A Constância e a Trilogia de Poder
Nur rekte, kuraĝe kaj ne flankiĝante, ni iru la vojon celitan!
(Apenas reto, ousado e não lateralmente, vamos pelo caminho pretendido!)
Eĉ guto malgranda, konstante frapante, traboras la monton granitan.
(Mesmo uma gota pequena, constantemente marcante, perfura a montanha de granito.)
L' espero, l' obstino kaj la pacienco – jen estas la signoj, per kies potenco
(A esperança, a obstinação e a paciência – estes são os sinais por cujo poder)
ni paŝo post paŝo, post longa laboro, atingos la celon en gloro.
(nós passo a passo, depois de um longo trabalho, alcançará a meta em glória.)
Estrofe 3: A Semeadura Obstinada e o Legado
Ni semas kaj semas, neniam laciĝas, pri l' tempoj estontaj pensante.
(Semeamos e substituímos, sem nunca nos cansarmos, pensando nos tempos futuros.)
Cent semoj perdiĝas, mil semoj perdiĝas, – ni semas kaj semas konstante.
(Cem sementes se perdem, mil sementes se perdem, – semeamos e semeamos constantemente.)
"Ho, ĉesu!" mokante la homoj admonas, – "Ne ĉesu, ne ĉesu!" en kor' al ni sonas:
("Oh pare com isso!" zombeteiramente o povo exorta, – "Não pare, não pare!" em nosso coração soa:)
"Obstine antaŭen! La nepoj vin benos, se vi pacience eltenos".
("Teimosamente em frente! Os netos vão te abençoar, se você suportar pacientemente".)
Estrofe 4: A Purificação pelas Adversidades
Se longa sekeco aŭ ventoj subitaj velkantajn foliojn deŝiras,
(Se uma longa seca ou ventos repentinos folhas murchas são arrancadas,)
ni dankas la venton, kaj, repurigitaj, ni forton pli freŝan akiras.
(agradecemos ao vento e, limpos, ganhamos força mais renovada.)
Ne mortos jam nia bravega anaro, ĝin jam ne timigos la vento, nek staro,
(Nosso bravo grupo não morrerá mais, não se assustará mais com o vento, nem ficará parado,)
obstine ĝi paŝas, provita, hardita, al cel' unufoje signita!
(teimosamente ele pisa, testado, endurecido, para atingir uma vez assinado!)
Fonte Original: BEJO – Brazila Esperantista Junulara Organizo (Organização da Juventude Esperantista Brasileira)
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