Capítulo 48 - O Mapa na Palma da Mão – A Engenharia do Destino
Capítulo 48 - O Mapa na Palma da Mão – A Engenharia do Destino
Onde a anatomia encontra a intuição.
Se você disser a alguém que um engenheiro da Siemens, acostumado com plantas industriais e cálculos de energia, lê mãos, a primeira reação costuma ser de ceticismo. "Isso não é ciência", diriam os acadêmicos. "Isso é crendice", diriam os religiosos mais rígidos.
Mas, para mim, a Quiromancia (a leitura de mãos) nunca foi sobre adivinhar o futuro em uma bola de cristal. Foi, curiosamente, mais um exercício de análise de dados.
Minha história com a leitura de mãos começou não como um dom sobrenatural que caiu do céu, mas como uma curiosidade intelectual. Eu olhava para as mãos — minhas próprias e as dos outros — e via padrões. Como engenheiro, fui treinado para acreditar que na natureza nada é aleatório. Se existem linhas, montes, texturas e formas, existe uma razão.
Comecei a estudar. Li livros antigos, comparei teorias. E o que descobri fez todo o sentido para a minha mente lógica: as mãos são o terminal periférico do cérebro.
Pense comigo: a mão é a ferramenta principal da evolução humana. É através dela que executamos o que a mente cria. Há milhares de terminações nervosas ligando a palma diretamente ao nosso sistema nervoso central. Não seria lógico, então, que o estado do nosso sistema nervoso, nossas tensões, traumas e potenciais ficassem impressos ali, como um registro geológico?
Aprendi a ler as mãos como quem lê um mapa topográfico.
A Linha da Vida não me dizia a data da morte, mas a vitalidade, a "bateria" daquele corpo.
A Linha da Cabeça me mostrava o processador: se a pessoa era mais lógica (como eu) ou mais imaginativa.
A Linha do Coração revelava como a pessoa processava as emoções — se guardava tudo ou se explodia.
Lembro-me das primeiras vezes em que li a mão de amigos. O mais impactante não era "acertar" um fato, mas ver a reação da pessoa ao se sentir compreendida.
Quando você segura a mão de alguém aberta, com a palma virada para cima, aquele é um gesto de vulnerabilidade total. A pessoa está desarmada.
Ao traçar as linhas com meu dedo, eu não estava prevendo o futuro (pois acredito que o futuro a gente constrói e as linhas mudam conforme nossas decisões). Eu estava fazendo uma leitura da alma naquele momento. Estava dizendo: "Eu vejo a sua dor aqui. Eu vejo o seu potencial criativo ali."
Essa habilidade me ensinou a ter empatia instantânea. Muitas vezes, uma mão calejada e com linhas profundas me contava uma história de sacrifício que a boca da pessoa não ousava pronunciar.
Hoje, não saio por aí lendo a mão de todo mundo no SAIS TFD ou na fila do Papai Noel (embora a vontade às vezes apareça!). Mas esse conhecimento mudou a forma como olho para as pessoas. Sei que cada um carrega, literalmente na ponta dos dedos, o resumo de sua própria história.
E para o engenheiro Jorge, isso é a prova final de que o Grande Arquiteto do Universo desenhou o ser humano com uma precisão impressionante, deixando o manual de instruções impresso na própria pele.

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