CB151 - Disseram que era tarde demais (Mas eu tinha um plano)
CB151 - Disseram que era tarde demais (Mas eu tinha um plano)
Na sociedade moderna, tudo tem prazo de validade. O leite na geladeira, o contrato de trabalho, a tecnologia do celular e, cruelmente, parecem querer colocar uma data de vencimento também nas pessoas. Aos 69 anos, prestes a completar 70, eu sinto esse rótulo tentando colar na minha pele. É o chamado "etarismo" ou ageism, o preconceito velado que sussurra: "Descanse, Jorge. Seu tempo de inovar já passou. Agora é hora de apenas recordar."
Mas eu tenho um plano diferente. Eu me recuso a me aposentar da vida.
Não vou mentir: o hardware aqui já não é o mesmo de 1970. Meus olhos cansam mais rápido, e aprender a navegar nas ferramentas de Inteligência Artificial, geradores de áudio e editores de vídeo não é intuitivo. Às vezes, o "peso dos 69 anos" bate. A tela brilha demais, os comandos mudam rápido demais, e a frustração aparece. Dá vontade de desligar o computador e ir ver televisão, como esperam que um "velho" faça.
Mas aí acontece a mágica.
Nesta semana, quando consegui fazer o computador "falar" meu texto, transformando minhas crônicas escritas em Audioblogs através de algoritmos complexos, senti uma euforia que não sentia desde que era um jovem engenheiro na Siemens. Eu não estava apenas usando uma máquina; eu estava domando o futuro.
Lembrei-me imediatamente da minha fascinação pela energia fotovoltaica na década de 80. Naquela época, a ideia de captar a luz do sol e transformá-la em eletricidade parecia alquimia. Hoje, percebo que nós, seres humanos, funcionamos da mesma maneira.
Muitos acham que envelhecer é como ser uma pilha: você nasce com uma carga e ela vai se gastando até acabar. Eu discordo. Eu tenho uma pilha de nascimento recarregada por um painel fotovoltaico. Quanto mais me exponho à "luz" — seja aprendendo uma nova IA, decorando um texto de teatro ou escrevendo um livro — mais energia eu gero. Eu não gasto energia para aprender; eu ganho vida ao aprender.
Transformar o Biometrio em uma experiência audiovisual não é apenas um projeto técnico. É a minha declaração de guerra contra o "prazo de validade". É a prova de que a plasticidade do cérebro não depende da idade do CPF, mas da vontade da alma.
Disseram que era tarde demais para começar uma nova carreira digital. Mas enquanto eles diziam isso, eu estava ocupado demais aprendendo a criar o futuro. Minha mente não envelhece; ela apenas atualiza o software.

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