CBD 07 – Carta de Mamãe: A Última Mensagem ( ela teria106 Anos)
CBD 07 – Carta de Mamãe: A Última Mensagem ( ela teria 106 Anos)
Introdução Em 28 de fevereiro de 2025, se minha mãe estivesse presente neste mundo, completaria 106 anos. Faz 6 anos que ela partiu para a Grande Pátria Espiritual. Sinto muita falta dela. Meus pais foram as pessoas mais maravilhosas que conheci em minha vida.
Em homenagem ao 106º aniversário de minha mãe, compartilho a última carta que recebi dela, datada de 10 de maio de 2012. Nela, ela relembra a força de vontade de meu pai e pequenos detalhes da nossa vida em família.
A Carta de Dora (10 de maio de 2012)
"Querido filho, Jorge!
Escrevo algo sobre seu pai e sobre nossa família em geral.
Seu pai, János Purgly, nasceu em 10 de abril de 1910 na Hungria, no distrito de Csanád, em Tompa Puszta, numa família muito importante e rica na época. Ele era um homem muito inteligente e gostava de trabalhar, fosse na fazenda — onde inventava e construía qualquer máquina —, fosse cultivando a terra ou trabalhando na indústria.
O pai dele, seu avô Emil Purgly, foi Ministro da Agricultura, além de ocupar muitos outros cargos importantes. Era primo de Magdolna Purgly, esposa do Almirante Miklós Horthy. E além de ser muito inteligente, ajudava muito a todos.
(Sobre a vida no Brasil) Lembro-me de quando comprei um torno de madeira. Seu pai disse: — Vamos trabalhar com madeira. Eu respondi: — Meu Deus, você nunca trabalhou com madeira! — Eu aprendo — ele respondeu.
E aprendeu mesmo. Compramos tornos e motosserras e começamos a fabricar souvenirs de Jacarandá da Bahia. No entanto, os produtos no início eram tão feios que dificilmente conseguíamos vendê-los. Mas ele insistiu e depois começou a fabricar bases de abajur de madeira. Este produto teve um desempenho muito melhor.
Começamos a vender nas lojas de lustres da Rua da Consolação, em São Paulo. A loja de lustres Yamamura foi um dos nossos maiores e excelentes clientes. E eu continuei nas vendas.
Meus filhos estudaram bem. Madalena em São Paulo e você, Jorge, em Guarulhos. Você estudou Eletrotécnica na Universidade de Mogi das Cruzes e, quando se formou, pagou todas as suas despesas sozinho, o que nos deu muito orgulho.
Encontrei aqui algumas fotos antigas da nossa tecelagem na Vila Galvão. Mas não consigo encontrar as fotos dos 10 saguis (micos) que mantínhamos soltos no jardim. Papai até construiu uma casinha para eles, que podia ser aquecida nos dias frios. Nós chamávamos o casal principal de Chico e Chiquinha; nós os chamávamos e eles vinham receber a comida no topo do corrimão da varanda. Um deles até coçava o rosto..."
[Tradução livre da carta original em húngaro "Mamitol levél"]
Observação: Esta carta é um fechamento belíssimo para a sequência das memórias dela, conectando o passado glorioso na Hungria com a luta digna e criativa no Brasil (os abajures da Yamamura e os micos no quintal).
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