OV 08 A Conspiração dos Mornos: Por que o Brilho Alheio Incomoda Tanto?

 


OV 08 – A Conspiração dos Mornos: Por que o Brilho Alheio Incomoda Tanto?

Há uma guerra silenciosa travada nos corredores das repartições, nas salas de café e nas reuniões de departamento. Não é uma guerra por grandes ideais ou disputas territoriais, mas uma batalha sutil e perversa: a da mediocridade contra a competência.

Ao longo das minha atividades no serviço público, observei um fenômeno curioso. Logicamente, pensaríamos que um funcionário eficiente, ágil e ético seria celebrado pelos colegas, afinal, ele eleva o nível do grupo. Mas, na prática, o que acontece é o oposto: ele vira um alvo. Por que a competência alheia desperta tanta ira? Por que o brilho de um incomoda tanto a sombra de outros?

A resposta reside no que chamo de "A Conspiração dos Mornos".


1. O Efeito Espelho: A Ofensa Involuntária O competente ofende sem abrir a boca. Ele não precisa criticar ninguém; a sua simples existência já é uma crítica. Quando alguém realiza em uma hora o que o colega ao lado leva cinco dias para fazer (e faz mal feito), cria-se um contraste insustentável.

O trabalhador medíocre, aquele que se acomodou no "mínimo necessário", olha para o competente e vê um espelho refletindo sua própria ineficiência. E ninguém gosta de ver suas falhas expostas. Para quebrar esse espelho e aliviar a consciência, o medíocre precisa desqualificar o competente. Começam então os rótulos: "ele só quer aparecer", "é caxias demais", "não tem vida social". Tentar rebaixar o outro é a tentativa desesperada de se sentir "na média" novamente.

2. A Quebra do Pacto da Mediocridade Em muitos setores, existe um acordo tácito, uma lei não escrita que diz: "ninguém corre para ninguém cansar". É o ritmo cadenciado da burocracia, onde a inércia é a regra.

O servidor competente, muitas vezes movido por vocação ou simples brio profissional, viola esse pacto. Ele traz ideias novas, propõe soluções para problemas antigos, questiona o "sempre foi assim". Ao fazer isso, ele ameaça a zona de conforto do grupo. Ele obriga a engrenagem a girar, e quem estava encostado nela sente o solavanco. A perseguição, nesse caso, é um mecanismo de defesa do grupo para expelir o "corpo estranho" e voltar ao repouso.

3. A Inveja: O Medo da Luz No campo espiritual, sob a ótica do "Orai e Vigiai", o buraco é mais fundo. Enfrentamos aqui a inveja em sua forma mais pura. Mas não a inveja cobiçosa de "querer o que o outro tem". É algo pior: é a inveja de "querer que o outro não tenha".

A luz do competente incomoda porque revela a escuridão do acomodado. No fundo, o medíocre sabe que poderia ser melhor, que tem potencial, mas escolheu (por preguiça ou medo) não o ser. Ver alguém que escolheu ser melhor é um lembrete constante do seu próprio fracasso moral. Apagar a luz do vizinho torna-se a única forma de a sua própria escuridão parecer menos densa.

4. Política x Técnica Finalmente, há a questão da sobrevivência. O medíocre geralmente se sustenta na política — nas relações, nos favores, na simpatia de corredor. O competente se sustenta na técnica, no resultado. Quando a meritocracia ameaça aparecer, o medíocre sente que seu "capital político" vale menos. A perseguição vira então uma manobra para garantir que a competência não valha mais do que a "camaradagem".

Conclusão: Não Baixe a Sua Luz Para quem sofre essa perseguição, o conselho é um só: vigiai. Não caia na tentação de diminuir o seu ritmo para se encaixar na mediocridade reinante. O preço de ser "aceito" pelos mornos é a morte do seu próprio talento e entusiasmo.

Se o seu brilho incomoda, o problema não está na sua luz, mas nos olhos de quem se acostumou com a escuridão. Continue servindo, continue fazendo o melhor. No final das contas, como sempre digo, o tempo será o nosso juiz, e a consciência tranquila é um travesseiro que a mediocridade nunca conseguirá comprar.

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