Saga Purgly Postagem 7 Vitéz Emil Purgly A Bravura e o Adeus a Jószás Ministro, irmão da Regente e o homem cujo olhar eu carrego comigo
Saga Purgly Postagem 7
Postagem 7: Vitéz Emil Purgly: A Bravura e o Adeus a Jószás
Subtítulo: Ministro, irmão da Regente e o homem cujo olhar eu carrego comigo.
Chegamos ao meu avô paterno. O homem que, no meu gráfico, aparece como Emil Lajos Károly Benedek Purgly. Mas para a história da Hungria, ele foi vitéz Emil Purgly.
Nascido em 1880, no auge da era vitoriana, Emil foi educado para administrar a prosperidade que seu pai, János III, havia construído. Mas o destino tinha outros planos. Ele não seria apenas um gestor de terras; ele teria que ser um guerreiro — literal e metaforicamente.
O Título de Vitéz
Como expliquei antes, o título de Vitéz não se ganha por herança; se ganha por bravura. Meu avô ostentava esse título com seriedade. Ele viveu a Primeira Guerra Mundial, viu o mapa da Europa ser retalhado pelo Tratado de Trianon (que tirou Arad e Jószáshely da Hungria) e, ainda assim, manteve-se firme.
Ser um Vitéz significava que, mesmo quando o mundo desabava, a conduta moral tinha que permanecer inabalável.
O Peso da Política: Ministro da Agricultura
Enquanto sua irmã, Magdolna, reinava no Castelo de Buda, Emil assumiu uma das pastas mais difíceis do governo: o Ministério da Agricultura.
Imaginem a responsabilidade: ele era um homem do campo, um jószási, tentando modernizar a produção de alimentos de um país que havia perdido dois terços de seu território. A gestão dele não foi burocrática; foi uma luta pela sobrevivência da nação através do solo.
A União com os Széll
Emil não caminhou sozinho. Ele se uniu a Mária Széll (minha avó, 1881-1962).
Os Széll eram uma dinastia política poderosa (seu parente, Kálmán Széll, foi Primeiro-Ministro). Essa união entre os Purgly e os Széll foi, talvez, a última grande aliança da "velha Hungria" na nossa família. Juntos, eles representavam a tradição, a cultura e a força política de uma era que estava prestes a desaparecer.
O Olhar do Avô e a Estufa Mágica
Embora eu tenha vivido a maior parte da minha vida no Brasil, há algo de Emil que atravessou o oceano.
Dizem que os olhos são o espelho da alma. Nas fotos antigas de Emil, vejo um olhar penetrante, analítico, mas profundamente humano. É o olhar de quem viu a glória de Jószáshely e a dor do exílio.
Às vezes, quando estou cuidando da minha estufa aqui em Indaial — ajustando a temperatura, verificando a luz, aplicando a tecnologia para fazer a vida brotar — sinto que estou repetindo os gestos dele. Ele cuidava da agricultura de um país; eu cuido do meu microcosmo verde. A escala mudou, mas a reverência pela vida é a mesma.
O Fim de uma Era (1964)
Meu avô faleceu em 1964. Ele viveu o suficiente para ver seus filhos espalhados pelo mundo, fugindo do comunismo. Ele viu seu filho János (meu pai) recomeçar a vida nos trópicos.
Emil Purgly foi o último "Senhor de Jószás". Com ele, encerrou-se o capítulo físico da família naquelas terras. Mas o capítulo espiritual? Ah, esse continua vivo toda vez que eu assino meu nome: Purgly.
Para saber mais: https://ancestors.familysearch.org/en/LZPT-WP4/vit%C3%A9z-purgly-emil-lajos-k%C3%A1roly-benedek-j%C3%B3sz%C3%A1si-1880-1964

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