UFO 02 National Kid, os Incas Venusianos e a Luz que Cortou o Céu de Guarulhos

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National Kid, os Incas Venusianos e a Luz que Cortou o Céu de Guarulhos

Eu tinha sete anos e vivia com a voltagem de um brinquedo de corda disparado. Eram tempos em que a magia chegava em preto e branco, através de um tubo de imagem que demorava para esquentar. Eu não perdia um único capítulo de National Kid. Naquela época, o herói enfrentava os "Incas Venusianos", e minha cabeça de menino fervilhava com naves espaciais, raios e seres de outros mundos.

Naquela noite específica, por volta das 20 horas, o episódio tinha acabado, mas a adrenalina continuava correndo nas minhas veias. Eu estava elétrico. Saí para o quintal de casa, em Vila Galvão, Guarulhos. O céu estava um breu, daquele escuro profundo que hoje a gente quase não vê mais, pontilhado por milhares de estrelas que pareciam assistir à Terra.

Foi quando aconteceu.

Não houve barulho, não houve aviso. De repente, um feixe de fogo amarelo intenso rasgou a escuridão. Não era um avião, não era uma estrela cadente tímida. Era uma luz viva, sólida, uma chicotada de energia pura cortando o firmamento com uma velocidade que desafiava tudo o que eu conhecia.

O tempo parou. Aquele "efeito holofote" tomou conta de mim. O quintal sumiu, a casa sumiu, o frio da noite sumiu. Só existia eu e aquela luz amarela. Meus olhos de sete anos se arregalaram, tentando beber aquela imagem, com medo de piscar e perder um milésimo de segundo do espetáculo.

Durou poucos segundos, mas na minha memória, durou uma eternidade.

Quando a luz sumiu no horizonte, o silêncio voltou, mas eu já não era o mesmo menino que tinha saído da sala. Eu estava em estado de êxtase, um deslumbramento mudo que travava a minha garganta.

Entrei em casa. Meus pais estavam na sala, vivendo sua rotina de adultos, alheios ao milagre que acabara de cruzar o teto de nossas cabeças. Pensei em gritar, em contar, em pular... mas algo me segurou. Eu estava emocionado demais. Aquilo era grande demais para virar apenas uma história de criança que ninguém acredita.

Guardei aquele segredo como um tesouro sagrado. Dei um "boa noite" contido, disfarçando a tremedeira das pernas, e fui para o meu quarto.

Deitei na cama, fechei os olhos e rezei para não dormir logo. Eu queria reprisar aquela cena na minha mente, frame por frame. Eu queria sonhar com aquilo. O National Kid podia ser ficção, mas o que eu vi no céu de Guarulhos era real. E naquela noite, aos sete anos, eu soube: nós não estamos sozinhos.

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