Assiste 06 A Via do Meio no Social Quando a Fé, a Técnica e a Planilha se Encontram

 Assiste 06 


A Via do Meio no Social  Quando a Fé, a Técnica e a Planilha se Encontram

Subtítulo: 

Como superar o abismo entre a visão estatista e o terceiro setor através da transparência e da gestão de recursos.

A Assistência Social é, historicamente, um campo de batalha de duas visões de mundo. 

De um lado, a visão à Esquerda, que defende o Estado forte, o servidor de carreira e o benefício como um direito constitucional sagrado — o SUAS (Sistema Único de Assistência Social) é seu templo e a técnica é seu dogma.

Do outro, a visão à Direita, que valoriza a subsidiariedade, a parceria com igrejas e ONGs, o empreendedorismo e a "porta de saída" da pobreza através da autonomia individual.

Em Indaial, assim como em muitos municípios brasileiros, esse embate teórico desceu do palanque para o dia a dia da repartição.

Temos um cenário complexo: um gestor com perfil comunitário, vindo da liderança religiosa (Pastor) e de grupos de autoajuda (AA), um homem acostumado a "salvar vidas" no varejo, olho no olho. 

Do outro lado, um corpo técnico de servidores concursados em sua maioria, guardiões da legalidade e do processo, que olham para essa gestão com reserva, desconfiança e, por vezes, uma resistência que beira o boicote silencioso.

O resultado? Travamento. Computadores obsoletos, pedidos negados (como os três micros vitais para o setor) e uma atmosfera onde a desconfiança corrói a eficiência.

Onde está a Convergência?

O segredo para destravar essa engrenagem não está na disputa de quem tem a "alma mais pura", mas na frieza dos números.

Curiosamente, a resposta para esse impasse tem vindo da estratégia mais pragmática possível. 

O Secretário, percebendo que a boa vontade e a fé não compram computadores nem pagam benefícios, recorreu à linguagem universal da administração: o Relatório Financeiro.

Ao levar sistematicamente à Câmara de Vereadores os números crus da pasta, demonstrando que as demandas que os próprios vereadores cobram não podem ser atendidas sem estrutura, o gestor cria uma ponte inesperada.

  1. Para o Servidor (A Técnica): O relatório financeiro é a prova de que o gestor está lutando pela estrutura do Estado. Quando ele briga por orçamento na Câmara, ele está, na prática, validando a necessidade do servidor ter um computador decente e condições de trabalho. Ele está fortalecendo o SUAS.

  2. Para o Gestor (A Missão): Os dados justificam o investimento. Para quem vem do terceiro setor (Igrejas/AA), cada centavo precisa ter um propósito. O relatório mostra que o dinheiro não é para alimentar a burocracia, mas para chegar na ponta, no cidadão que precisa.

A Síntese do Centro

Não precisamos escolher entre o "coração" das ONGs e a "espinha dorsal" do Estado. O caminho do meio — o equilíbrio centrista — entende que:

  • O Estado é insubstituível na garantia de direitos e na continuidade. Sem servidores equipados e valorizados, a política pública vira favor passageiro.

  • A Sociedade Civil é capilar. Igrejas e ONGs chegam onde o Estado demora. Um gestor com essa sensibilidade traz humanidade.

A resistência interna perde força quando percebe que o "estranho no ninho" está usando sua posição política para fazer o que todo técnico sempre sonhou: exigir recursos com base em dados técnicos.

Se a ideologia separa, a necessidade do povo une.

 Que a "teimosia" dos números vença a "teimosia" do boicote. 

Afinal, um computador novo na mesa do servidor, conquistado pela articulação política do gestor, serve ao mesmo propósito: atender quem tem fome de pão e de justiça.



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