Assiste 07 Trauma Vicário
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O Custo Invisível do Cuidado: Entendendo o Trauma Vicário
Texto da Postagem:
Você já chegou ao final de um dia de trabalho sentindo uma exaustão que não era física, mas uma espécie de "peso na alma"? Não pelo volume de tarefas que executou, mas pelo volume de histórias que ouviu?
Para quem trabalha na linha de frente do atendimento humano — seja no Direito (especialmente em áreas sensíveis como Família e Criminal), na Saúde, na Psicologia ou no Serviço Social —, a empatia é nossa principal ferramenta de trabalho.
Mas ela é uma faca de dois gumes.
Isso tem nome: Trauma Vicário.
Também conhecido como "o custo do cuidado" ou trauma secundário, é o processo cumulativo de absorver a dor alheia.
Diferente do Burnout, que é sobre excesso de trabalho,
o Trauma Vicário é sobre a natureza do trabalho.
É o impacto de testemunhar repetidamente o sofrimento, a injustiça e as crises de outras pessoas.
Não acontece do dia para a noite.
É uma erosão lenta que muda a forma como vemos o mundo.
Sinais de que o "filtro" pode estar saturado:
🔹 Visão de mundo alterada: Começar a achar que o mundo é inerentemente perigoso e que as pessoas não são confiáveis.
🔹 Cinismo ou entorpecimento: Sentir que "nada tem jeito" ou ter dificuldade de sentir compaixão (fadiga de empatia).
🔹 Intrusão: Levar os casos para casa, sonhar com eles ou não conseguir "desligar" a mente das histórias ouvidas.
🔹 Isolamento: Sentir que ninguém, fora da sua área, entende o peso do que você carrega.
O que fazer? A "Higiene" Emocional.
Precisamos normalizar a ideia de que quem cuida também precisa de manutenção. Não é fraqueza; é sustentabilidade profissional.
Rituais de Descompressão: Crie um marco físico entre o trabalho e a casa. Trocar de roupa imediatamente ao chegar ou usar o trajeto para ouvir algo leve são formas de avisar ao cérebro que o expediente de "ouvinte" acabou.
Compaixão Desapegada: Exercitar a difícil arte de oferecer o melhor acolhimento possível, reconhecendo que a jornada e as escolhas do outro pertencem a ele, não a nós.
Não processe sozinho: Ter pares, mentores ou supervisores com quem você possa "esvaziar" o copo é essencial. O isolamento é o combustível do trauma vicário.
Precisamos manter a chama da nossa vocação acesa, sem deixar que o incêndio da dor alheia nos consuma.
Você já sentiu esse impacto na sua atuação profissional? Como você lida com a "descompressão" após casos difíceis?

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