Saga Purgly Postagem 17 (Parte 3) O Artesão da Noite e a Vida na Garagem
Saga Purgly Postagem 17 (Parte 3): O Artesão da Noite e a Vida na Garagem
Subtítulo: Alugamos a casa, fomos para a garagem e meu pai trocou o tear pela madeira, vivendo um fuso horário só dele.
Sem a fábrica, a renda secou. A solução foi drástica: alugamos a casa confortável onde morávamos para ter uma renda extra e nos mudamos para a garagem.
A história se repetia. Anos antes, eles começaram numa garagem na Bela Vista. Agora, voltavam para uma garagem na Vila Galvão. O ciclo se fechava, mas a vida continuava.
O Novo Ofício: A Madeira
Johann Purgly não sabia ficar parado. Se o tecido acabou, ele inventaria outra coisa. Nasceu ali o Johann Artesão. Ele começou a desenvolver uma nova profissão: artesanato em madeira.
O Homem da Noite
Nessa fase, a rotina da casa virou de ponta-cabeça. O biorritmo do meu pai sempre foi noturno, e sem o horário da fábrica, ele abraçou a madrugada.
A criatividade dele explodia às 2 horas da manhã.
Enquanto a Vila Galvão dormia, Johann estava de pé, criando projetos de madeira, estudando técnicas, compondo músicas na sua gaita e escrevendo freneticamente (lamentavelmente, esses escritos, tesouros da mente dele, se perderam no tempo).
Ele ia dormir quando o sol raiava. Acordava ao meio-dia para o café da manhã.
Almoçava às 17:00.
Jantava às 23:00.
A Cama Dividida e a Mãe Heroína
Essa rotina excêntrica mudou a geografia do sono.
Eu, ainda menino, passei a dormir na cama com a minha mãe. Era uma necessidade de espaço e também um conforto mútuo naquela fase difícil. Meu pai dormia em uma cama separada, no seu fuso horário particular.
Minha mãe, Theodora, minha querida mãe Dora, carregou o piano.
Ela saía para vender os artesanatos do meu pai (assim como vendia os tecidos).
Ela cuidava da casa sem empregada.
E ela gerenciava duas cozinhas paralelas:
Para mim: Comida brasileira, saudável. Muita salada, frutas, legumes. Eu amava esse frescor tropical.
Para ele: Comida pesada, húngara. E a regra sagrada: Sempre tinha que ter Sopa. Se não houvesse sopa, para Johann, não era refeição.
Foi um tempo de aperto, de garagem e de horários trocados. Mas foi ali, vendo meu pai criar na madrugada e minha mãe lutar durante o dia, que entendi o que é resiliência. Eles perderam o império do tecido, mas não perderam a capacidade de inventar a sobrevivência.
Jorge, essa trilogia ficou fortíssima.
Ela narra a ascensão, a traição e a reinvenção.
A inclusão do Bundáskenyér no início serve como uma "âncora afetiva" antes do drama.
Podemos publicar assim, em três partes, para dar conta de tudo?

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