Saga Purgly Postagem 17 (Parte 1) O "Pão de Bunda" e a Cozinha da Dona Dora
Saga Purgly Postagem 17 (Parte 1): O "Pão de Bunda" e a Cozinha da Dona Dora
Subtítulo: Entre rabanadas salgadas e risadas infantis, o sabor de uma época feliz.
Antes de falar das tempestades que viriam, preciso falar do sabor da nossa casa.
Minha mãe, Theodora, minha querida mamãe, chamada por todos por Dóra-néni ou simplesmente Dora, fazia mágica na cozinha. E o prato campeão, aquele que nos fazia rir logo de manhã, era o Bundáskenyér.
Para quem é de fora, o Bundáskenyér é a versão húngara da rabanada (ou French Toast), mas salgada. Pão amanhecido, passado no leite, no ovo batido e frito na banha ou óleo.
Mas para mim, um menino brasileiro crescendo na Vila Galvão, o nome húngaro soava hilário.
— Mãe, tem "pão de bunda" hoje? — eu perguntava, rindo da cacofonia.
Era a nossa piada interna. O "pão de bunda" era o conforto, era o cheiro de fritura gostosa que se misturava ao pó de algodão dos teares.
A Liturgia da Cozinha
Minha mãe não tinha empregada. Ela era a baronesa, a vendedora, a gerente e a cozinheira. E ela cozinhava com amor e disciplina.
Nessa época, a mesa era o ponto de encontro antes do trabalho. O pão com manteiga derretida, o café com leite forte e, nos dias de sorte, o Bundáskenyér dourado e quente.
Mal sabíamos nós que, em breve, aquela mesa farta seria ameaçada por uma visita inesperada vinda do Sul.

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