Capítulo 56: Gnose Prática – O Alquimista do Cotidiano
Capítulo 56: Gnose Prática – O Alquimista do Cotidiano
Frequentemente me perguntam como conciliar
estudos tão profundos
sobre o Demiurgo, os Aeons e a cosmologia gnóstica
com a rotina
de um servidor municipal ou com as obrigações
da vida civil.
A resposta reside numa frase que se tornou
o meu mantra:
"A sombra necessita de luz".
Mas essa luz não é
apenas intelectual;
ela deve ser praticada.
Isso é o que chamo de Gnose Prática.
O Laboratório da Vida Real
Para o gnóstico, a vida não é um erro,
mas um laboratório.
No meu trabalho no SAIS TFD,
lidando com o atendimento
ao público e as dores daqueles
que buscam saúde, aplico a primeira regra da
gnose prática:
a Auto-observação. Quando o ambiente se
torna denso ou os problemas parecem insolúveis
, é o momento de observar não
o mundo exterior, mas como eu reajo a ele.
Transformar a irritação em paciência e a burocracia em
serviço é a verdadeira alquimia. Não estamos apenas
movendo papéis ou processos; estamos movendo
energias.
Cada atendimento é uma oportunidade de ser um
"portador da luz" em meio às sombras da enfermidade.
O Papai Noel como Arquétipo de Serviço
Muitos veem o meu trabalho como Papai Noel
apenas como uma tradição de Natal. Sob o olhar da
Gnose Prática, vejo-o como o "Sacrifício pela
Humanidade"
— um dos três fatores da revolução da consciência.
Ao vestir a túnica vermelha, eu me despojo do
"Jorge"
cotidiano para encarnar um arquétipo de bondade
e esperança.
Nesse momento, a gnose deixa de ser uma teoria
sobre o Pleroma e torna-se o brilho no olho de uma
criança carente.
É a prova de que a luz pode, sim, penetrar a
sombra da pobreza
e do desânimo, mesmo que seja por alguns
instantes mágicos.
A Transmutação das Impressões
A Gnose Prática ensina que não somos o
que nos acontece, mas
como processamos o que nos acontece.
Seja enfrentando desafios
jurídicos, financeiros ou as saudades de tempos
passados, aprendi
a não permitir que as "sombras" externas apaguem
a minha chama interna.
Ser um Homem Renascentista Moderno
em Indaial significa
entender que o sagrado está no café da manhã,
na escrita destas crônicas, no cuidado com
os meus cães e no respeito aos
meus antepassados húngaros.
A gnose não é fugir do mundo,
mas estar no mundo sem ser
dominado por ele.
Conclusão: O Caminho do Meio
Minha biografia, que agora chega ao seu 56º capítulo,
é o testemunho dessa busca.
Entre o céu dos conceitos
espirituais e a terra das responsabilidades
humanas, escolhi o caminho do meio:
o caminho da prática.
Pois, no final das contas,
a gnose sem obra é como uma lâmpada
sem energia: pode até ser bonita, mas não ilumina
o caminho de ninguém.

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