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Mostrando postagens com o rótulo Temporada 2

SL 22 - Temporada 2, Episódio 13 Do Laboratório para a Indústria — O Primeiro Circuito Profissional

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SL 22 - Temporada 2, Episódio 13: Do Laboratório para a Indústria — O Primeiro Circuito Profissional Se o banheiro da nossa oficina na Vila Rosália foi o berço da minha experimentação, o final da década de 70 marcou a minha entrada definitiva no "mundo real" da tecnologia. A minuteira eletrônica que projetei e vendi para o Peter Pietz não foi apenas um negócio bem-sucedido; foi a prova de conceito de que eu era capaz de criar soluções que o mercado desejava. O Salto para a Fone Mat (uma empresa do grupo Ericsson) Minha entrada no mercado de trabalho não foi um acaso, mas uma busca por escala. Eu queria entender como as coisas eram feitas não apenas por um homem só, como meu pai Johann fazia com tanta maestria, mas por centenas de pessoas em harmonia. Foi nesse contexto que a Fone Mat surgiu no meu horizonte. Trabalhar na Fone Mat foi a minha primeira grande escola de processos. Ali, a precisão que aprendi ajustando a lente Biotar da Kine Exakta precisava ser aplicada em dia...

SL 21 - Temporada 2, Episódio 12 A Luz de Battonya — A Kine Exakta e a Arte do Contraste

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 Este roteiro do Episódio 12 da Temporada 2 é um dos mais ricos tecnicamente da sua saga. Ele revela que a sua precisão como engenheiro e seu olhar estético não nasceram do acaso, mas de uma herança profunda de um pai que tratava a fotografia com o rigor dos grandes mestres europeus. SL 22 - Temporada 2, Episódio 12: A Luz de Battonya — A Kine Exakta e a Arte do Contraste Se a casa na Rua Pirapozinho tinha o cheiro da oficina e do café, ela também escondia um tesouro de luz e química. Meu pai, Johann, não era apenas um fotógrafo amador; como tudo o que ele fazia, a fotografia era tratada com uma profundidade técnica absoluta. Na Hungria, ele buscou a fonte: teve aulas particulares com os grandes mestres da Alemanha e da Áustria, refinando um olhar que unia a arte à ciência exata. O Legado da Kine Exakta Na bagagem trazida da Europa em 1948, um objeto era sagrado: uma Kine Exakta equipada com uma lente Biotar 1:1.5 . Era uma joia da ótica. Johann não apenas "tirava fotos"; e...

SL 20 - Temporada 2, Episódio 10 O Canhoto Forçado — A Luta entre a Natureza e a Regra

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  SL 20 - Temporada 2, Episódio 10: O Canhoto Forçado — A Luta entre a Natureza e a Regra Nos corredores do Liceu Brasil e, mais tarde, no Colégio Claretiano , vivi um dos meus primeiros e mais silenciosos atos de resistência. Naquela época, o mundo não era apenas destro; ele exigia que todos fôssemos. Eu nasci canhoto, com a inclinação natural para explorar o mundo e registrar meus pensamentos com a mão esquerda, mas o sistema educacional da década de 60 tinha outros planos para mim. O Estigma da Mão Esquerda Muitos não se lembram, mas ser canhoto naquela época era quase visto como um "defeito de fabricação" ou uma desordem que precisava de correção. Professores e inspetores acreditavam que a mão direita era a única via para a ordem e a clareza. Assim, fui forçado a trocar. No Liceu Brasil, o guri Jorge Purgly teve que aprender a silenciar o seu instinto para obedecer à regra. A Caneta-Tinteiro e o Borrão O desafio era técnico e físico. Escrever com a mão direita, sendo can...

SL 18 - Temporada 2, Episódio 08 A Pequena Battonya — Aromas, Sons e a Mesa Húngara

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  SL 18 - Temporada 2, Episódio 08: A Pequena Battonya — Aromas, Sons e a Mesa Húngara Foto: Beigli Cruzar o portão da nossa casa na Vila Rosália era como fazer uma viagem transatlântica em poucos passos. Enquanto as calçadas de Guarulhos ecoavam o português e o burburinho de uma cidade brasileira em ascensão, o interior da nossa sala era o território sagrado da Pequena Battonya . Ali, a resistência cultural não era feita com política, mas com sabores, sons e afetos. A Melodia do Lar Minhas primeiras referências linguísticas foram um dueto constante. O mundo lá fora falava a língua de Camões, mas dentro de casa, o ar vibrava com a sonoridade complexa e ancestral do Húngaro . Ouvir meus pais, Johann e Dora, conversando na língua materna não era apenas um meio de comunicação; era o fio invisível que nos mantinha conectados às planícies do condado de Békés. Para o guri que eu era, o húngaro era a língua dos segredos, das histórias de Battonya e da ternura que nenhum oceano conseguiu a...

SL 17 - Temporada 2, Episódio 07 O Quintal dos Milagres — Engenho e Arte na Rua Pirapozinho

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  SL 17 - Temporada 2, Episódio 07: O Quintal dos Milagres — Engenho e Arte na Rua Pirapozinho Se a Rua João Julião foi o local do esforço e do abafamento acústico, a casa na Rua Pirapozinho (antiga Dom Pedro II) foi o cenário da expansão. Na Vila Rosália, o guri Jorge não cresceu apenas entre paredes, mas dentro de um laboratório vivo de criatividade aplicada. O Aroma da Vila Rosália Foto: Gabiroba, frutinha deliciosa Minhas primeiras memórias sensoriais estão ligadas ao frescor que subia do Lago dos Patos e se misturava ao cheiro de terra molhada do nosso quintal e um grande jardim. Mas havia um aroma específico que definia a nossa casa: o cheiro de metal trabalhado, madeira serrada e o perfume do café húngaro que minha mãe, Dora, preparava. Era uma casa que "tinha cheiro de produção". A Engenhosidade de Johann Meu pai, Johann, não era apenas um homem de trabalho; ele era um arquiteto do cotidiano. Observá-lo  na pequena oficina era a minha primeira aula de engenharia, mu...

SL 16 - Temporada 2, Episódio 06 Vila Rosália e o Ar do Lago — O Solo de 1956

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  SL 16 - Temporada 2, Episódio 06: Vila Rosália e o Ar do Lago — O Solo de 1956 Foto: Lago dos Patos, hoje. Enquanto o ano de 1956 ficava marcado na história mundial pelo rugido dos tanques em Budapeste, na história da família Purgly ele representava o silêncio de um novo recomeço e o som do primeiro choro de uma nova geração. Foi o ano em que deixamos o ritmo acelerado da capital para fincar raízes em Guarulhos . A Rua Dom Pedro II e a Vila Rosália Nosso destino foi a Rua Dom Pedro II , na Vila Rosália — uma região que, formalmente vinculada à Vila Galvão , estava em pleno processo de formação. Para Johann e Dora, aquela mudança era a consolidação de oito anos de esforço no Brasil. A casa na Rua Dom Pedro II (hoje a pacata Rua Pirapozinho ) não era apenas um novo teto; era o território onde a semente trazida de Battonya finalmente teria espaço para florescer com liberdade. O Horizonte do Lago dos Patos Viver a apenas um quilômetro do Lago dos Patos moldou a atmosfera daquela ...

SL 15 - Temporada 2, Episódio 05 Tecendo o Futuro na Rua João Julião — Teares e Colchões

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  Foto: Hospital Oswaldo Cruz, hoje, ao lado da Rua João Julião SL 15 - Temporada 2, Episódio 05: Tecendo o Futuro na Rua João Julião — Teares e Colchões Após o período de provação na garagem da Dona Serena, a família Purgly deu o seu primeiro grande passo rumo à autonomia. O destino foi uma casa na Rua João Julião , em São Paulo. Não era apenas um novo lar; era o espaço necessário para que o trabalho pudesse ganhar escala. O Salão que Virou Oficina Diferente da garagem apertada, a casa na João Julião oferecia um salão de festas. Mas, naquelas paredes, não ecoariam músicas ou celebrações sociais, e sim o ritmo constante e mecânico do tear . Meu pai, Johann, trouxe para aquele espaço a tradição têxtil e a força do trabalho manual, transformando o salão em uma unidade produtiva que sustentaria os nossos primeiros sonhos em solo brasileiro. A Acústica da Resiliência Viver do próprio trabalho exigia engenho. O som do tear era potente e, em uma vizinhança paulistana, poderia ser um incô...

SL 14 - Temporada 2, Episódio 03 A Garagem da Dona Serena — O Batismo de Humildade

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  SL 14 - Temporada 2, Episódio 03: A Garagem da Dona Serena — O Batismo de Humildade Foto: Av. Paulista 1950 A chegada a São Paulo não foi marcada por palacetes, mas pela crueza de um recomeço do zero. Nosso primeiro endereço no "solo sagrado" paulistano foi a garagem da pensão da Dona Serena . Para Johann e Dora, que traziam na bagagem o peso da história de Battonya , viver em uma garagem foi o teste definitivo de resiliência. Ali, entre as paredes improvisadas e o eco dos carros, a família Purgly viveu o seu primeiro ano de Brasil. Não havia o luxo da Transdanúbia, mas havia a dignidade de quem não tinha medo do trabalho. Foi naquele espaço confinado que meus pais planejaram o futuro, economizando cada centavo para que pudéssemos, finalmente, ter um teto que chamássemos de nosso.

SL 13 - Temporada 2, Episódio 02 Rio de Janeiro, 1948

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  SL 13 - Temporada 2, Episódio 02: Rio de Janeiro, 1948 — O Cristo, a Baía e o Recomeço Se a partida da Hungria foi um adeus em tons de cinza e incerteza, a chegada ao Rio de Janeiro foi uma revelação monumental. Em 1948, meus pais, Johann e Dora, desceram a escada do navio sob o olhar vigilante do Cristo Redentor, deixando para trás as planícies da Europa Central para abraçar a exuberância da capital brasileira. O Contraste de Battonya Imagine o choque cultural e geográfico: para quem trazia na alma a paisagem de Battonya — aquela cidadezinha histórica na fronteira, cercada pelas vastas planícies e pelo espírito resiliente do condado de Békés, do vilarejo de Makó— o Rio de Janeiro era um cenário de outro mundo. Battonya era o chão de terra firme, de raízes profundas e horizontes largos; o Rio era o encontro dramático da montanha com o mar, envolto em uma umidade tropical que meus pais nunca haviam sentido. A Dignidade na Bagagem Johann e Dora não chegaram apenas como passageiros...

SL 12 - Temporada 2, Episódio 01 A Travessia de 1948 — Antes da Cortina se Fechar

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 SL12  SL 12 - Temporada 2, Episódio 01: A Travessia de 1948 — Antes da Cortina se Fechar Diferente do que muitos supõem, a partida da minha família não foi um reflexo tardio da revolução de 1956. Meus pais, com uma visão aguçada e corajosa, anteciparam o destino da nação e buscaram a liberdade muito antes, em 1948 . O Fim de uma Era Em 1948, a Hungria vivia a angústia do pós-guerra e o avanço inexorável do controle soviético. O ano ficou conhecido como o "Ano da Virada", quando a democracia foi sufocada. Meus pais entenderam que para preservar a dignidade da nossa linhagem e o futuro dos filhos, era preciso deixar para trás as terras de Jószás e a vida em Budapeste antes que a "Cortina de Ferro" se tornasse intransponível. O Salto para o Desconhecido Enquanto a Hungria mergulhava no autoritarismo, nossa família cruzava o oceano. Fugir em 1948 exigiu uma coragem hercúlea: era o abandono total do status e das raízes em troca de uma promessa de paz no Brasil. Chegam...