SL 17 - Temporada 2, Episódio 07 O Quintal dos Milagres — Engenho e Arte na Rua Pirapozinho
SL 17 - Temporada 2, Episódio 07: O Quintal dos Milagres — Engenho e Arte na Rua Pirapozinho
Se a Rua João Julião foi o local do esforço e do abafamento acústico, a casa na Rua Pirapozinho (antiga Dom Pedro II) foi o cenário da expansão. Na Vila Rosália, o guri Jorge não cresceu apenas entre paredes, mas dentro de um laboratório vivo de criatividade aplicada.
O Aroma da Vila Rosália
Foto: Gabiroba, frutinha deliciosaMinhas primeiras memórias sensoriais estão ligadas ao frescor que subia do Lago dos Patos e se misturava ao cheiro de terra molhada do nosso quintal e um grande jardim. Mas havia um aroma específico que definia a nossa casa: o cheiro de metal trabalhado, madeira serrada e o perfume do café húngaro que minha mãe, Dora, preparava. Era uma casa que "tinha cheiro de produção".
A Engenhosidade de Johann
Meu pai, Johann, não era apenas um homem de trabalho; ele era um arquiteto do cotidiano. Observá-lo na pequena oficina era a minha primeira aula de engenharia, muito antes de eu saber o que essa palavra significava.
Onde outros viam sucata, ele via solução. Onde havia um problema doméstico, ele criava uma ferramenta. Essa capacidade de "fazer muito com pouco" — uma característica tão marcante dos sobreviventes do pós-guerra — transformou a nossa rotina em uma sucessão de pequenas maravilhas técnicas. Foi ali, segurando as ferramentas para ele ou apenas observando o movimento preciso de suas mãos, que eu herdei o "Olhar do Avô" (que na verdade era o olhar dele, transmitido a mim): a capacidade de enxergar a estrutura por trás da forma.
A Estufa Mágica
Muitos leitores me perguntam sobre a "Estufa Mágica". Ela não era na verdade uma estufa de vidro. Meu pai comprou um terreno de 2.000 metros quadrados com arvores nativas. Tinha pitanga, gabiroba, nêspera (ameixa amarela) e o meu pai ainda plantou manga, laranja e tudo o que um verdadeiro pomar tem direito. Esta area verde, conservando a natureza era o símbolo da nossa capacidade de criar o clima ideal para o crescimento, mesmo em solo estrangeiro. O microclima daquela area verde na Vila Rosália, foi enriquecido por uma piscina. Meu pai cuidava da piscina com muito carinho e a agua estava sempre azul. Eu via a vida brotar sob o cuidado técnico e o carinho húngaro. Era o nosso pedaço de Battonya onde aprendi que, com o controle certo e a dedicação necessária, qualquer semente pode prosperar.

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