SL 22 - Temporada 2, Episódio 13 Do Laboratório para a Indústria — O Primeiro Circuito Profissional


SL 22 - Temporada 2, Episódio 13: Do Laboratório para a Indústria — O Primeiro Circuito Profissional



Se o banheiro da nossa oficina na Vila Rosália foi o berço da minha experimentação, o final da década de 70 marcou a minha entrada definitiva no "mundo real" da tecnologia. A minuteira eletrônica que projetei e vendi para o Peter Pietz não foi apenas um negócio bem-sucedido; foi a prova de conceito de que eu era capaz de criar soluções que o mercado desejava.

O Salto para a Fone Mat (uma empresa do grupo Ericsson)

Minha entrada no mercado de trabalho não foi um acaso, mas uma busca por escala. Eu queria entender como as coisas eram feitas não apenas por um homem só, como meu pai Johann fazia com tanta maestria, mas por centenas de pessoas em harmonia. Foi nesse contexto que a Fone Mat surgiu no meu horizonte.

Trabalhar na Fone Mat foi a minha primeira grande escola de processos. Ali, a precisão que aprendi ajustando a lente Biotar da Kine Exakta precisava ser aplicada em diagramas, componentes e linhas de produção. Eu dava treinamento nas empresas de telecomunicações representando a Elmi, Tempo Instruments, Hagenuck e Solarex, tudo em nome da Fone Mat. Eu deixava de ser o "maker" isolado para me tornar parte de um organismo técnico complexo.

A Conexão com a Icotron e a Siemens

Nessa época, Guarulhos e São Paulo fervilhavam com o desenvolvimento industrial. A Icotron, fundada em 1954 e vinculada ao grupo Siemens, era o olimpo para qualquer jovem fascinado por componentes eletrônicos. Ver o logotipo da Siemens — uma marca que exalava o rigor europeu que eu já conhecia de casa — em componentes que passavam pelas minhas mãos era como fechar um ciclo. Saí da Fone Mat e fui para a Icotron em 1985.

Minha herança húngara de profundidade técnica me deu uma vantagem competitiva: eu não apenas operava sistemas; eu queria entender a física por trás de cada capacitor e componente semicondutor. Essa mentalidade me preparou para o que viria a seguir: a transição para a Maxitec e desta para a Siemens KWU, onde a engenharia deixaria de ser apenas sobre peças e passaria a ser sobre grandes sistemas e parcerias internacionais. Da KWU vim para Santa Catarina mas isso é uma outra história que fica para outra vez.

O Nascimento de um SDR (Antes do Termo Existir)

Embora hoje eu atue como SDR (Sales Development Representative), percebo que naquela época eu já estava desenvolvendo essa musculatura. Eu precisava "vender" ideias técnicas, convencer supervisores de melhorias em processos e entender as necessidades do cliente industrial. A base técnica que Johann me deu na oficina da Rua Pirapozinho tornou-se a minha maior ferramenta de comunicação: eu falava a língua da máquina para poder servir aos homens.

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