Capítulo 11 Dona Maria Telkes, minha prima, Rainha do Sol
Capítulo 11:Dona Maria Telkes, minha prima, Rainha do Sol
Nas reuniões de família normais, as pessoas se gabam de um tio que é médico ou de um primo que passou num concurso difícil. Na família Purgly, o sarrafo é um pouco mais alto. Eu tenho o privilégio de chamar de "prima" a mulher que tentou engarrafar o sol.
Seu nome era Mária Telkes. O mundo a conheceu como "A Rainha do Sol".
Nascida na Hungria em 1900, Maria tinha aquela inquietude típica do nosso sangue. Enquanto outros olhavam para o chão em busca de petróleo ou carvão, ela olhou para cima. Ela entendeu, muito antes de ser moda, que a maior fonte de energia do universo estava sendo desperdiçada a cada amanhecer.
Ela foi para os Estados Unidos e transformou a ciência em salvação.
Durante a Segunda Guerra Mundial, pilotos e marinheiros abatidos no oceano morriam de sede à espera de resgate. Minha prima Maria inventou um destilador solar portátil: uma engenhoca brilhante, inflável, que usava o calor do sol para transformar água do mar em água potável. Quantas vidas foram salvas por causa da mente brilhante dessa húngara? Nunca saberemos o número exato, mas saber que meu sobrenome está ligado a essas vidas salvas é um orgulho silencioso.
Mas ela não parou aí. Em 1948, ela projetou a Dover Sun House, a primeira casa do mundo aquecida 100% por energia solar. E o fez de forma genial, usando sais de Glauber para armazenar o calor, numa época em que "painel solar" soava como ficção científica.
Às vezes, quando estou mexendo nas minhas coisas de engenharia, ou quando penso no meu interesse pela energia fotovoltaica na década de 80 (tópico de uma futura crônica), vejo que a maçã não cai longe da macieira — ou melhor, o raio de sol não cai longe da placa.
Maria Telkes faleceu em 1995, pouco antes de ver a revolução solar tomar conta dos telhados do mundo.
Ela não deixou filhos biológicos, mas deixou um legado que alimenta cidades inteiras hoje.
Dizem que o sol nasce para todos. Mas foi a minha prima Maria que ensinou a humanidade a guardá-lo para usar à noite. De certa forma, eu sigo o exemplo dela: ela trazia a luz e o calor da ciência; eu, como Papai Noel, tento trazer a luz e o calor da esperança. Somos, ambos, trabalhadores da luz.

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