Capítulo 16 - O Colégio Claretiano de Guarulhos e meus colegas de turma e amigos.

Capítulo 16 - O Colégio Claretiano de Guarulhos e meus colegas de turma e amigos. Dentre os meus colegas de turma e amigos além do Emílio, e dos já citados, me chegam na memória hoje, os seguintes:

 Olavo de Brito

 O Olavo além de amigo foi um irmão que estudou comigo até o término da Faculdade de Engenharia Elétrica. 
Muito da minha vida pessoal e profissional eu devo a ele. 
Ele era de uma turma um ano mais adiantada do que a minha. 
Nos conhecemos durante o recreio da escola. Ele mais velho foi um mentor, um inspirador e um protetor quando eu era calouro na faculdade e ele veterano. Sua mãe, a dona Aracy trabalhava na Microlite em Guarulhos e o Olavo sempre foi o primeiro em tudo nas coisas que eu vim a fazer. 

Do transporte da faculdade, primeiro de Kombi, passei a dividir a gasolina com ele. Ele teve carro logo cedo e eu só tive depois como herança do carro do meu pai que parou de dirigir por idade. Pamela Braun, sobrinha do cientista da NASA Werner von Braun, era da turma dele no terceiro científico quando eu estava no segundo ano. 

O Olavo era um gênio em cálculo numérico e sempre o admirei muito. Ele tinha coleções completas de discos de Led Zeppelin e outros músicos da época. Sua discografia era impressionante. Frequentamos a casa um do outro. Compartilhavamos os mesmos gostos pela eletrônica e experimentação de amplificadores de som e iluminação de eventos. 

 Nos distanciamos depois que nos formamos engenheiros e fomos trabalhar em lugares distintos. Pouco a pouco perdemos o contato. Muito de minha vida eu devo a ele. O Olavo sempre foi um amigo verdadeiro.

 Sergio Esposito 

O Sérgio foi meu colega desde o Liceu Brasil até o final do Curso Científico no Claretiano. Ele amava futebol e eu detestava. Mesmo assim, jogávamos futebol juntos e ele sempre teve muita paciência com a minha falta de habilidade com a bola. Loredana Esposito, era a irmã mais velha de Sergio. Ela nos ajudava nos trabalhos de escola que fazíamos em dupla, embora não tivesse nenhuma obrigação com isso.

 Armando José Rechberger

 Conheci o Armando através do meu amigo Evaristo. Ele também era escoteiro e uma pessoa de excelente moral e conduta. Ele é albino mas para mim isso não fazia diferença. Ele amava andar de bicicleta e o Evaristo e eu também. Andamos muito juntos até quando eu tirei carteira de motorista e ele de moto. O Evaristo passou a dirigir também. Anos depois, eu já casado com filhos, fiz uma visita a casa dele para rever os velhos tempos. Nossas aventuras de bicicleta totalizam milhares de quilômetros que andamos juntos. Minha bicicleta tinha um odômetro e era possível medir as distâncias e ir totalizando os trajetos percorridos. Ele também curtia eletrônica, tinha um Engenheiro Eletrônico Philips.

 Ele gostava de música típica alemã e ouvíamos muito. Ele com albino tinha deficiência visual avançada. Usava óculos fundo de garrafa bem escuros. Sua pele era muito fina e vermelha e tinha cabelos bem brancos que ele sempre ostentou, nunca tingiu e não se envergonhava das dificuldades que tinha. 

 Antonio Roberto Augusto 

 O Antonio Roberto Augusto é meu amigo até hoje. 
Enquanto eu segui carreira na Energia Elétrica ele seguiu na Engenharia Mecânica. Anos depois de formado, já casado, ele se mudou para Natal no Rio Grande do Norte onde se radicou.

O Antônio trabalhava num estúdio fotográfico no Bairro Gopoúva e até hoje é o historiador da nossa turma do colégio científico. O António por muitos anos foi, além de amigo, colega de estudos dos trabalhos de escola. 

Frequentamos a casa um do outro e em conjunto com outros colegas como o Zima estudávamos juntos. Sempre educado, conciliador, muito inteligente e leal, o Antonio é uma pessoa de inestimável valor.

Recentemente ele lançou um livro: Entre dois Mundos que relata a história romanceada da vida da sua mãe e está escrevendo outro em estilo poético e escorrido, cujo estilo eu gosto bastante.

Carlos Zima Neto 

 O Carlos Zima optou pela medicina e se especializou em medicina do trabalho. Amigo de todas as horas estudávamos juntos. Eu frequentava mais a casa dele do que ele a minha. 

Lá conheci o irmão dele, o Ricardo Zima Eu tinha maior facilidade de locomoção por andar de bicicleta prá todo lado e ele dependia mais do ônibus. Fazíamos os trabalhos de feira de ciências juntos e também os trabalhos do Ricardo.

Em um ano o Ricardo Zima construiu um Hovercraft que foi uma experiência incrível. O pai dele, embora eu não tenha conhecido, pois sempre estava no trabalho, era um alto executivo da General Eletric na divisão de locomotivas. 

O Carlos Zima falava das três empresas que dominaram o mundo: a General Foods, a General Motors e a General Electric.


 Peter Pietz 

 Conheci o Peter através do Grupo Escoteiro os Guarus cujo fundador era o Sr. Werner Pietz. 
O irmão mais velho era o Roberto Pietz. 
O Roberto construía modelos navais da Revel extremamente realistas. Havia um escoteiro novinho que chamava por ignorância e dificuldade de pronúncia o Sr. Werner de seu Verme. Ele nunca se importou com isso e nós quando sozinhos riamos a beça com a dificuldade deste menino.

 Wilson Roberto Martins

O Wilson era o primeiro aluno da classe.
 Morava em São Miguel Paulista, o que para nós ficava distante do outro lado da cidade. 
Nunca fui de bicicleta para aquelas bandas. 
Eu sentia ciúmes dele pois ele era inteligente fora da curva e seguro de tudo o que ele fazia. 
Passou na Poli e nunca mais tive notícias dele. Havia também outros colegas com os quais não tinha envolvimento como o Luiz Carlos, o Roberto Klaus Kramer que era amigo do Emílio mas não meu, o Constantino Rodrigues que era o diplomata da turma, muito inteligente e envolvido em causas sociais. Sabia os nomes dos políticos governadores e sabia muito sobre os partidos da época. 

 Tinha também o Davi, inimigo mortal do Emílio que foi expulso da escola, os irmãos Maqueda, Juan Luiz e o Luiz Carlos que eram conquistadores das meninas por serem rapazes bonitos e de boa conversa. Os irmãos Maqueda judiaram muito de mim, pois o pai deles alugava a casa do meu pai e eu era tipo Professor Pardal (CDF como se dizia na época) enquanto eles estavam mais do lado da curtição e da malandragem. 

E também haviam as meninas. 

Todas muito certinhas e de boa família. Havia uma que não era nada bonita. Tinha o cabelo desgrenhado e o apelido dela entre nós era Vassoréia. Este apelido foi dado pelo Ivo Siqueira, filho do Sargento da Base Aérea de Cumbica e humorista da turma. Ele punha apelido em todo mundo. Ele dizia, Siqueira ou não queira, meu apelido pega. Havia a Wendie, que era a menina mais bonita da sala. Todos eram apaixonados por ela. Ela era gentil, charmosa e simpática com todos, mas o interesse amoroso dela assim como das demais meninas estava focado em rapazes mais velhos da Faculdade Faria Brito. 

Hoje sei que as mulheres se interessam por rapazes mais velhos pois elas amadurecem mais cedo e nós éramos crianças perto delas. 

Tinha a Izildinha, já falecida com a qual eu quase cheguei a namorar. Conversávamos longamente só nós dois, mas nunca passou disso. Tinha a OK Já Kim, sul coreana que andava com dois dicionários para se comunicar com a gente. Um dicionário coreano-inglês e outro inglês-portugues. Ela era um gênio e se adaptou rapidamente à vida no Brasil. Tinha também o Amauri e outros colegas cujos nomes não mais me lembro. Era um mundo muito diferente. Sexo só pago ou depois do casamento. Não havia computador e muito menos celular ou internet. 

 Havia minha madrinha de Batismo a Dona Erzsébet Korányi que a minha mãe e eu visitávamos em São Paulo a cada 3 meses mais ou menos. Gostava muito de ir lá, pois sempre ganhava presentes como livros quebra cabeças educativos. Íamos ao cinema onde assistimos ao Carlitos e ao cinema mudo. Minha mãe sempre fez questão de manter acesos os contatos da família. Haviam também as empregadas da minha mãe, como a Zoraide que me viu crescer. 

Com elas aprendi sobre a Umbanda que elas frequentavam. Fiquei sabendo por elas das minhas madrinhas espirituais, a Mãe Zefinha, Irmã Lola, Irmã Miquelina, da falange dos Pretos Velhos, meus mentores que me acompanham desde então. 

Soube no ano 2000 que eu tinha outro mentor chamado de Pai João de Angola e mentora Maria Padilha do Cabaré. 

 A família Homonnay é amiga dos meus pais. A família Homonnay morava perto da casa dos meus pais em São Paulo antes de eu nascer e nos mudarmos para Guarulhos. O amigo do meu pai era o Ladislau Homonnay, que foi cônsul da Hungria em Moscou antes da Segunda Guerra mundial cuja história de vida dá um livro à parte. Dona Vilma, esposa dele, era uma verdadeira esposa de consul. Ambos poliglotas falavam vários idiomas além do Hungaro, do Russo, do Francês do Alemão, etc. Eles tiveram 4 filhos. 
O Adão, o homem primordial o primeiro que se tornou professor de matemática em cursinhos, já homem quando eu nasci, a Katalin, a rebelde que tinha opiniões fortes sobre tudo na vida, e que hoje mora em Foz do Iguaçu, já idosa e professora de línguas, a Clarice sempre muito doce e amiga e a Iara, um anos mais nova do que eu. 

Desde a minha infância a Iara e eu crescemos juntos. Quando surgiu a televisão, na época enorme com um tubo de raios catódicos ou tubo de imagem que levava vários minutos para esquentar e cujas emissoras entravam no ar às 17:00 horas haviam alguns canais que a Iara e eu curtimos muito. Brincávamos de ficar de frente da tela e beijar os artistas que apareciam Eu as moças e ela os rapazes Acontecia que bem no meio do beijo mudava a imagem e por exemplo eu estava beijando uma artista de cinema e de repente aparecia um porco no chiqueiro. Quando isso acontecia ríamos a mais não poder. Nossas famílias eram muito amigas e a Iara e eu praticamente crescemos juntos. 

Nossos pais fariam muito gosto se viéssemos a nos casar e eu considerava a Iara a minha namoradinha de infância. Quando me tornei adolescente e meu desejo por ela despertou, nossos pais cuidaram para que não ficássemos sozinhos e nem dormíssemos juntos. Era o que eu mais queria mas nunca consegui uma aproximação e não sei se havia reciprocidade neste sentido. 

Anos depois nos separamos e cada um seguiu o seu caminho. Naquela época vieram também os filhos dos meus primos, filhos do meu tio Lajos e dona Lívia, o Joseph, o Emil, a Marita e o András. Havia um hiato de uma geração entre eles e estas crianças mas acompanhei o crescimento delas sendo sempre convidado para passar férias na praia ou no campo com eles. Há muitas histórias interessantes desta convivência. Também haviam os amigos de rua para jogar pião, soltar pipa e bistecar bolinhas de gude. Como o João, o Neném, o Dorival Pereira o Carlinhos e a Iracy Anos depois eu conheci no Tradicional Baile de Debutantes Húngaro a Helena Marieta Ráth, e aí também quase rolou um romance que teria sido do gosto de nossos pais. 

 Quando me formei engenheiro, segundo o costume dos meus pais de casamento arranjado, meus pais arranjaram para mim uma namorada na Hungria com vistas a casamento mas isso não fazia parte dos meus planos. Quando me formei engenheiro meu trabalho ficou longe da minha casa e fui morar na casa de parentes mais próximo ao meu local de trabalho.

 Foi assim que passei a morar na casa dos Piller na zona sul de São Paulo. O Sr. Gedeon e a Eva Piller eram grandes húngaros que tinham a esperança de casar alguma menina húngara comigo. Os filhos deles estavam estudando na Alemanha num internato húngaro e havia lugar na casa deles no quarto de hóspedes. 

Foi quando estava morando lá que eu conheci a minha esposa Catarina Maria Tininha Mandú de Vasconcelos Purgly, nascida em Limoeiro Pernambuco em 28 de janeiro de 1957.. Basta dizer que o pai dela foi o último coronel do Nordeste, fazendeiro, e co-responsável pelo exílio de Miguel Arrais de Pernambuco. Severino Correa Mandú de Vasconcelos, foi pai da Tininha, filha do segundo casamento do Sr. Severino com a Sra. Severina Maria de Vasconcelos, quando tinha 70 anos de idade. A vida da Tininha até os 16 anos de idade quando o Coronel Mandú veio a falecer é uma história à parte.

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