Capítulo 18- Beigli Húngaro: O Rocambole de Natal
Capítulo 18- Beigli Húngaro: O Rocambole de Natal
Se o Natal húngaro tivesse um gosto, ele seria agridoce. Teria o sabor denso das nozes, o toque misterioso da papoula e a doçura do mel. Em resumo: teria gosto de Beigli.
Não existe Natal na Hungria (ou numa casa de descendentes) sem essas "frutas" de massa dourada sobre a mesa. O Beigli é um rocambole tradicional, mas chamá-lo apenas de "rocambole" é quase uma ofensa. É como chamar uma Ferrari de "carro".
Existem dois times nessa disputa gastronômica: o time das Nozes (Diós) e o time da Papoula (Mákos).
O de nozes, com seu recheio dourado e amendoado, dizem que protege contra o azar. O de papoula, com aquele recheio negro e intenso, promete riqueza e casamento. Na dúvida (e pela gula), a gente sempre comia os dois.
Lembro-me da minha mãe, Dona Dora, na cozinha. Fazer Beigli não é para amadores. É uma arte que exige paciência. A massa precisa ser fina, mas não pode rasgar. O recheio tem que ser generoso, mas se for demais, o bolo racha no forno (o pesadelo de qualquer cozinheira húngara!).
Havia todo um ritual: moer as nozes, cozinhar a papoula no leite com mel, esperar a massa descansar. O cheiro que invadia a casa enquanto eles assavam era o verdadeiro perfume do Natal. Era um aroma de conforto, de continuidade.
O Beigli tem a casca marmorizada, brilhante, resultado de pincelar gema e clara em tempos diferentes. Quando se corta a primeira fatia, revela-se o espiral perfeito: massa, recheio, massa, recheio.
Aqui no Brasil, encontrar semente de papoula nem sempre foi fácil (houve tempos em que era até proibida!). Mas a teimosia húngara sempre dava um jeito.
Hoje, quando como uma fatia de Beigli, não estou apenas ingerindo calorias. Estou comungando com gerações de Purglys que, antes de mim, celebraram a vida ao redor dessa mesma receita.
É um sabor que não precisa de tradução. Pode ser servido em Budapeste ou em Indaial; a cada mordida, a gente volta para casa.
Sugestão de Imagem para a Postagem
A imagem precisa dar água na boca e mostrar a característica clássica do Beigli: o corte em espiral com os dois recheios (nozes e papoula).

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