Capítulo 20 A TV de Tubo e os Heróis de Plástico

Capítulo 20 A TV de Tubo e os Heróis de Plástico
Hoje, as crianças têm o streaming e podem assistir ao que quiserem, quando quiserem. Nós não tínhamos esse luxo. Nós tínhamos o "horário sagrado". A vida parava para ver a TV de tubo aquecer e a imagem se formar, trazendo mundos que existiam muito além de Guarulhos ou São Paulo. Minha educação sentimental e técnica deve muito a esses seriados. Tudo começou com um herói que voava com os braços esticados e vinha de Vênus: National Kid. Ah, o Incrível National Kid! Para a minha geração, ele foi o primeiro vislumbre do Japão pop. Lembro-me dos Celacantos e dos Incas Venusianos. Os efeitos especiais eram precários (dava para ver os fios segurando as naves!), mas para os meus olhos de menino, aquilo era realismo puro. Ele nos ensinou que o bem sempre vence o mal, mesmo que o mal venha em discos voadores de plástico. Depois, veio a fase dos "Bonequinhos". Falo de Thunderbirds e daquelas produções onde marionetes pilotavam naves incríveis. Havia algo de engenharia naquilo que me fascinava. As ilhas secretas que se abriam, as palmeiras que deitavam para o foguete passar... Talvez ali tenha nascido minha paixão por máquinas e sistemas. E o que dizer de Batman e Robin (a série de 1966)? Não era o Batman sombrio de hoje. Era colorido, exagerado, com onomatopeias explodindo na tela: POW! BAM! ZAP! O bat-cinto de utilidades tinha solução para tudo, até "spray repelente de tubarão". Era o triunfo da criatividade sobre a lógica, e a gente adorava. Mas foi o produtor Irwin Allen que sequestrou minha imaginação de vez. Perdidos no Espaço foi a minha primeira odisseia. O Dr. Smith, covarde e preguiçoso, contrastava com a bravura da família Robinson e, claro, com o Robô B-9. Ouvir "Perigo, Will Robinson!" era o auge da tensão da semana. Viajamos pelo Túnel do Tempo (quem nunca sonhou em entrar naquela espiral?) e nos sentimos pequenos na Terra de Gigantes. Eram séries que mostravam que a ciência podia nos levar a qualquer lugar, mesmo que nos colocasse em apuros. Anos mais tarde, já adulto, encontrei heróis que falavam mais diretamente com o meu lado engenheiro. MacGyver foi o padroeiro da gambiarra técnica. Ele não usava armas; usava física, química e um canivete suíço. Consertar um vazamento com chiclete? Ligar um carro com um clipe? MacGyver validou a ideia de que o conhecimento resolve mais problemas do que a força bruta. E, claro, Stargate SG-1, que uniu minhas paixões: história antiga, alienígenas e portais interdimensionais. Sinto saudades desses seriados. Não apenas pela nostalgia, mas pela inocência. Neles, o futuro era brilhante, as naves eram prateadas e, no final do episódio, a família estava reunida e salva. Hoje, como Papai Noel, tento resgatar um pouco dessa magia. Afinal, o que é o trenó senão a nave mais antiga e fantástica de todas?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Como ler a mão

As 12 reencarnacoes de Emmanuel

Rede em apartamento com parede de alvenaria estrutural, pode?