Capítulo 22 O Boticário: A Alquimia e o Segredo do Nome Gellert
Capítulo 22 O Boticário: A Alquimia e o Segredo do Nome Gellert
O que um engenheiro húngaro-brasileiro tem a ver com a maior franquia de cosméticos do mundo? À primeira vista, nada. Mas se olharmos com a lupa de quem ama história e genealogia, encontramos um fio invisível costurado no sobrenome do fundador: Gellert.
Miguel Gellert Krigsner.
O homem que fundou O Boticário em 1977, numa pequena farmácia de manipulação em Curitiba, carrega no nome do meio um pedaço da alma de Budapeste.
Para a maioria dos brasileiros, "Gellert" é apenas um nome estrangeiro. Para mim, Jorge Purgly, Gellert é o Monte sagrado que vigia o Danúbio (Gellért-hegy). É o nome de São Geraldo (Szent Gellért), o bispo mártir que é um dos padroeiros da Hungria. Saber que o criador desse império da beleza carrega essa herança (seja por linhagem direta ou homenagem de seus pais judeus que transitaram pela Europa Central antes de chegarem à Bolívia e ao Brasil) cria uma simpatia imediata.
Sempre admirei a história do Boticário porque ela não é sobre "vender perfume"; é sobre alquimia.
Miguel não começou querendo ser um gigante do varejo. Ele começou como um boticário de verdade, misturando cremes numa batedeira de bolo nos fundos da farmácia, movido pela paixão de curar e cuidar.
O símbolo da marca, a ânfora, remete a esses tempos antigos, onde o conteúdo valia mais que a embalagem, onde havia um segredo, uma magia líquida guardada ali dentro.
Eu me identifico com esse espírito.
Como terapeuta (íris e biometria) e como Papai Noel, eu também trabalho com uma forma de "manipulação": manipulo esperança, manipulo energias, tento entregar algo que faça a pessoa se sentir melhor na própria pele.
Acompanhei o Boticário crescer. De cliente fiel, que comprava o clássico Acqua Fresca para presentear, vi a marca se tornar um símbolo nacional. E, curiosamente, a vida dá voltas: o cliente virou o "Bom Velhinho". O Boticário é, por excelência, a loja dos presentes de Natal. Quantas vezes, vestido de vermelho, não vi sacolas com a ânfora dourada nas mãos de quem vinha tirar foto comigo?
Somos, eu e Miguel (o primo Gellert de alma), vendedores de sonhos. Ele engarrafou o cheiro da chuva e das flores. Eu tento engarrafar o espírito do Natal.
No fim, seja na farmácia de Curitiba ou na sala do Papai Noel em Indaial, o objetivo é o mesmo: tocar o coração do outro.

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