Capítulo 24 Minha Coleção de Selos: O Mundo em Pequenos Retângulos

Capítulo 24 Minha Coleção de Selos: O Mundo em Pequenos Retângulos
Antes de existirem o Google Earth e as passagens aéreas em promoção, o mundo era algo distante e misterioso. Para um menino curioso como eu, a única forma de viajar para a Tanzânia, para a Mongólia ou para a Islândia era através de pequenos pedaços de papel serrilhados: os selos. Minha coleção de selos não era apenas um hobby; era a minha enciclopédia particular. Lembro-me da emoção de conseguir um envelope estrangeiro. O ritual de recortar o canto do papel, deixá-lo de molho na água morna, esperar a cola soltar e ver o selo flutuar livre, pronto para ser seco e catalogado. A Filatelia me ensinou geografia e história de um jeito que nenhuma escola conseguiu. Aprendi que países nascem e morrem. Tenho selos da "DDR" (Alemanha Oriental), da "URSS", da "Rodésia". Países que hoje só existem nos meus álbuns. Olhar para esses selos é como olhar para fantasmas geopolíticos. Mas o orgulho da coleção, claro, sempre foram os selos da Magyar Posta. A Hungria, apesar de pequena e sofrida politicamente, sempre foi uma gigante na arte postal. Enquanto outros países faziam selos pequenos e sem graça com a cara de algum general, a Hungria imprimia verdadeiras telas de pintura: enormes, coloridos, com temas espaciais, olímpicos ou folclóricos. O selo húngaro não servia só para pagar a carta; servia para gritar ao mundo: "Olhem, nós temos cultura, nós temos arte!". Eu passava horas com a pinça e a lupa, organizando aquele caos colorido em classificadores de linhas pretas. Havia uma ordem, uma lógica, uma estética. Era o engenheiro em formação aprendendo a categorizar o mundo. Hoje, ninguém mais manda cartas. O e-mail matou o selo, e o WhatsApp enterrou o cartão postal. As crianças de hoje não sabem o gosto da cola no verso de uma estampa. Elas ganharam a velocidade, mas perderam a tangibilidade. Minha coleção de selos está guardada, talvez um pouco esquecida numa prateleira. Mas ela é o registro de uma época em que a comunicação exigia esforço, beleza e paciência. E cada selo ali — seja um Magyar Posta gigante ou um selo brasileiro do Império — é um carimbo no meu passaporte imaginário, provando que eu estive lá, mesmo sem nunca ter saído de casa. Sugestão de Imagem para a Postagem A imagem precisa ser visualmente rica. Selos húngaros antigos são famosos por serem grandes e detalhados. Opção Recomendada: Selos da Magyar Posta Uma composição de selos húngaros coloridos. Isso valida o texto sobre a beleza da arte postal húngara.

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