Capítulo 30 A Estufa Mágica e o Olhar do Tio Barão
Capítulo 30 A Estufa Mágica e o Olhar do Tio Barão
O mundo lá fora é barulhento. É feito de notificações de celular, de trânsito e de pressa. Mas, dentro do meu apartamento, existe um portal para outra dimensão: a minha Estufa Mágica.
Ela não é grande, nem tem tecnologia de ponta. É o meu santuário verde, habitado por seres silenciosos e resistentes: as minhas suculentas. Tenho uma predileção especial por elas. A Zamioculcas zamiifolia, com suas folhas brilhantes que parecem enceradas à mão; a Crassula ovata (a Planta Jade); e a Portulacaria afra.
Por que "mágica"? Porque é ali que o tempo desacelera. E é ali que eu sinto uma presença familiar muito forte.
Não é o olhar de um avô camponês, mas o olhar meticuloso e aristocrático do meu tio: Dr. Baron Anton Ghillány.
Meu tio não era apenas um nobre pelo título de Barão; ele era nobre na sua dedicação à natureza. Ele foi um renomado orquidólogo, um homem de ciência que dedicou a vida a catalogar e entender as belezas do Herbarium Bradeanum.
Enquanto ele buscava orquídeas raras nas matas e as eternizava em herbários com rigor científico, eu hoje cultivo minhas suculentas no espaço urbano de Indaial. As escalas são diferentes, mas o fascínio é o mesmo.
Quando estou ali, limpando uma folha ou verificando a umidade da terra, sinto que herdei um pouco desse "olhar botânico" dele.
O Tio Anton me ensinou, mesmo que indiretamente, que observar uma planta é uma forma de oração e de estudo. Ele olhava para uma orquídea e via a complexidade do universo. Eu olho para uma Zamioculca e vejo a resistência da vida.
Aos 69 anos, sem netos para correr pela sala, meus "descendentes" são verdes. E cuidar delas com essa paciência quase científica é a minha forma de honrar o sangue dos Ghillány e dos Purgly.
O engenheiro calcula, o Papai Noel presenteia, mas é o sobrinho do orquidólogo que entende o milagre silencioso da fotossíntese.
Nesta pequena estufa, entre vasos e terra, encontro o equilíbrio. É onde o Jorge se conecta com o Barão Anton, e onde a ciência do Herbarium Bradeanum se encontra com a mística do meu jardim particular.

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