Capítulo 38: Quando eu me casei... (A Certeza do "Nós")

Capítulo 38: Quando eu me casei... (A Certeza do "Nós")
Uma viagem no tempo ao início de tudo. Casamento, para quem olha de fora ou vê as fotos no álbum, é um evento. É o dia do "sim", a roupa de gala, os convidados, a festa. Mas para quem vive, o casamento não é o evento. É o dia seguinte. E o próximo. E o outro depois desse. Quando olho para trás, para o jovem Jorge recém-casado, e me pergunto: "Qual era a coisa que eu mais gostava quando me casei?", a resposta não está nas grandes viagens ou nas conquistas materiais que vieram depois. A coisa que eu mais gostava era a certeza da presença. Havia uma magia silenciosa em girar a chave na porta de casa e saber que eu não estava entrando em um espaço vazio. O ar tinha outro peso. O cheiro era diferente. Saber que a Tininha estava lá — ou estaria em breve — mudava a gravidade do meu mundo. Eu, que sempre fui um homem de lógica, de engenharia, de processos e selos organizados, de repente me vi mergulhado em algo que não seguia lógica nenhuma: a construção de um organismo vivo chamado "casal". O que eu mais amava era a rotina que criamos. Era o café da manhã (que detalharei mais à frente, pois merece um capítulo à parte), era o dividir das angústias do trabalho no final do dia. Era ter uma testemunha ocular da minha vida. Antes de casar, minhas vitórias eram apenas minhas e minhas derrotas eram solitárias. Depois da Tininha, tudo era compartilhado. Se eu vencia, nós vencíamos. Se o dia fosse duro, o abraço dela era o refúgio onde o mundo lá fora não entrava. Ela trouxe para a minha vida uma cultura diferente, uma força que eu desconhecia e uma capacidade de amar que moldou o pai que eu viria a ser. Mas, naquele início, éramos apenas nós dois. Lembro-me da sensação física de pertencimento. De olhar para ela e pensar: "Esta é a minha parceira. Somos um time." Hoje, em 2025, vivendo em uma casa onde o silêncio às vezes fala alto, valorizo ainda mais aquela sensação inicial. A juventude nos faz achar que o tempo é infinito e que aquela presença será eterna. A maturidade nos ensina que cada "bom dia" e cada "boa noite" dito ao lado de quem se ama é um pequeno milagre. Quando me casei, a coisa que eu mais gostava era, simplesmente, não ser mais apenas "eu". Era ser parte dela. E ela, parte irrevogável de mim. Foi ali, naqueles primeiros dias de vida comum, que começamos a construir a fortaleza que protegeria nossos filhos, nossos sonhos e até nossos pets anos depois.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Como ler a mão

As 12 reencarnacoes de Emmanuel

Rede em apartamento com parede de alvenaria estrutural, pode?