Capítulo 41- O Coronel Mandú e a Menina dos Olhos
Capítulo 41- O Coronel Mandú e a Menina dos Olhos
A força que se curvava ao afeto.
Toda família tem suas lendas, suas figuras que parecem maiores que a vida, cujos nomes são pronunciados com um misto de respeito e temor. Na história da Tininha, essa figura era o Coronel Mandú.
Para o mundo, o Coronel podia ser a autoridade, a patente, o homem de decisões firmes e postura inabalável. Mas, quando se tratava da Tininha, a hierarquia militar se desfazia. Diante dela, o Coronel não batia continência; ele entregava o coração.
O amor do Coronel Mandú pela Tininha era algo bonito de se ver. Era aquele tipo de amor protetor, quase uma fortaleza construída ao redor de uma flor. Ele via nela a continuidade, a pureza, talvez a parte mais doce da vida que a rigidez da carreira ou da época muitas vezes o obrigava a esconder.
Dizem que os homens daquela geração eram duros, que não sabiam expressar sentimentos. Mas quem viu a relação dos dois sabe que isso é meia verdade. O amor dele não precisava de discursos melosos; ele estava nos gestos. Estava na forma como ele se preocupava, no brilho do olhar quando ela entrava na sala, na segurança que ele fazia questão de garantir que nunca lhe faltasse.
Tininha, com sua sensibilidade, era a única capaz de "desarmar" o Coronel. Ela sabia acessar o lado humano, gentil e vulnerável dele. Para ela, ele não era a patente; era o porto seguro.
Eu, Jorge, que tive a honra de conviver e amar a Tininha até o fim, percebia que muito da força e da dignidade que ela carregava vinha desse alicerce. Ela foi amada por um homem forte, e isso a ensinou a não aceitar menos do que respeito absoluto.
O Coronel Mandú partiu, como todos nós partiremos um dia, mas o legado do seu afeto permaneceu vivo nela. E, de certa forma, chegou até mim e aos nossos filhos. Porque o amor, quando é verdadeiro e sólido como o dele, não acaba no túmulo. Ele ecoa nas gerações seguintes.
Lembrar do Coronel Mandú não é apenas lembrar de um homem de farda ou de posição. É lembrar que, por trás da armadura mais resistente, sempre existe um coração que bate mais forte por alguém. E a Tininha foi, sem dúvida, a capitã desse coração.

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