Capitulo 52- O nome da magia

Capítulo 52 - O Nome da Magia





Quando visto o veludo vermelho e sinto o peso da barba branca,

deixo de ser o Jorge, o avô, o primo ou o colega.

Naquele instante, opero uma transmutação

que vai além da roupa: eu me torno o guardião da esperança

, o viajante das chaminés, o símbolo vivo do Natal.

Por isso, quando ouço uma mãe dizer ao filho "vai lá com o vovô",

sinto um pequeno estalo na redoma de cristal que construí.

Não é por falta de amor à condição de avô — que exerço com orgulho na minha vida privada

—, mas porque o Papai Noel não tem idade, ele tem eternidade.

O "vovô" é de casa; o Papai Noel é do mundo.

Chamar o Noel de "vovô" é como acender as luzes antes da peça terminar.

É trazer o mítico para o comum.

Eu não estou ali apenas como um homem idoso ocupando um espaço;

estou ali como o herdeiro das tradições húngaras,

o Papai Noel da Hungria descendente do Papai Noel Original,

aquele que carrega o cheiro da cozinha da infância e

a luz da "estufa mágica" do meu próprio avô.

Para a criança, eu sou a prova de que o impossível acontece.

E para que esse milagre se mantenha, preciso que me chamem pelo meu nome de Natal.

Pois, enquanto eu for o Papai Noel, o mundo continua a ter um pouco mais de brilho,

de respeito e, acima de tudo, de magia pura.


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