🎄 Natal 2025: A Receita da Resiliência
Capitulo 53 - crônica 125
O Natal, para nós, nunca foi apenas uma data no calendário. Desde as terras distantes da Hungria até o nosso refúgio aqui no Brasil, ele sempre foi um ato de resistência.
Aprendemos com nossos antepassados que o mundo pode ser, por vezes, injusto e impiedoso. Vimos tanques nas ruas em 1956, enfrentamos diásporas e, até hoje, lidamos com pequenas e grandes "subtrações" da vida cotidiana. Mas a lição húngara que corre em nosso sangue é clara: o que é essencial, ninguém pode furtar.
Eles não podem furtar o aroma da cozinha da minha mãe, que ainda vive em minha memória. Não podem levar embora o sabor do nosso Beigli, que carrega em cada dobra a persistência de um povo que se recusa a ser esquecido. Não podem apagar o calor da "Estufa Mágica" nem o brilho que vejo nos olhos de quem ainda acredita na bondade.
Quando visto o traje de Papai Noel, não estou apenas usando um disfarce; estou honrando a memória de Miguel Gellert Krigsner e de tantas outras biografias de superação. Estou dizendo ao mundo que, apesar das pressões e dos tropeços, escolho ser o portador da esperança.
Neste Natal, que a nossa mesa seja o nosso maior refúgio. Que o perdão não seja um fardo, mas a leveza de saber que somos maiores do que qualquer injustiça. Que a Catarina e eu possamos celebrar não o que perdemos, mas a imensa riqueza de estarmos aqui, preservando a luz de uma linhagem que sobreviveu a tudo para que pudéssemos, hoje, simplesmente amar.
Boldog Karácsonyt! (Feliz Natal!)
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