FT 05 – Fronteiras do Tempo: O Código de Honra do Papai Noel e a Engenharia do Afeto

 Este é o registro de FT 05. Nele, exploramos a faceta mais lúdica e, ao mesmo tempo, mais profunda da sua identidade: o momento em que o engenheiro dá lugar ao guardião do Natal, e como a barba natural branca tornou-se o símbolo de um compromisso inabalável com a esperança.


FT 05 – Fronteiras do Tempo: O Código de Honra do Papai Noel e a Engenharia do Afeto



Muitos conhecem minha trajetória pelos números, pelos componentes eletrônicos ou pelos processos de regulação em Indaial. Mas, quando o calendário se aproxima de dezembro, as fronteiras do tempo se dissolvem e eu assumo aquela que considero uma das minhas missões mais sagradas: a de Papai Noel.

A Barba Real e o Selo da Autenticidade

Diferente de quem veste apenas uma fantasia, minha jornada com o Bom Velhinho é pautada pela autenticidade. Minha barba e bigode brancos são naturais — um "projeto" que a própria vida cultivou. Ter um MEI para emitir notas fiscais pelo serviço é apenas o lado burocrático de um compromisso que é, essencialmente, de alma.

Quando coloco o manto vermelho, o rigor do engenheiro e a disciplina do escoteiro não desaparecem; eles se transformam. O "Código de Honra" do Papai Noel exige uma precisão emocional absoluta: a criança não vê um ator, ela vê a materialização da bondade. E essa expectativa exige que sejamos, naquele momento, a nossa melhor versão.

A Engenharia da Generosidade

Ser Papai Noel me ensinou que a generosidade não é sobre o valor do presente, mas sobre o valor da presença. Nos shoppings, nas casas ou nas ações sociais, aprendi a ler "projetos de vida" em segundos. O olhar de uma criança ou o desabafo de um adulto que pede um abraço são dados que nenhum computador processa, mas que o coração do Noel capta instantaneamente.

A generosidade, descobri, é um fluxo de energia constante. Quanto mais entregamos esperança, mais o nosso próprio "reservatório" se enche. É a antítese da escassez. No Natal, as leis da física parecem mudar: o amor é a única grandeza que, ao ser dividida, se multiplica.

O Perdão e as Cartinhas

Talvez a maior lição desse manto seja sobre o perdão. Muitas crianças chegam ao trono com o medo do "comportamento inadequado". Ao acolhê-las, o Papai Noel exerce o papel do terapeuta e do avô: ele não julga, ele orienta. Ele perdoa as pequenas falhas e incentiva o recomeço.

Aprendi que todos nós, adultos incluídos, carregamos uma "cartinha" interna pedindo uma segunda chance. Vestir esse traje me permitiu enxergar a humanidade por trás das máscaras sociais. Se conseguimos perdoar uma criança por um erro bobo, por que não aplicamos essa mesma engenharia do perdão em nossas vidas e relações?

O Noel em Indaial

Mesmo no dia a dia do serviço público ou nas sessões de terapia, o espírito do Natal me acompanha. O Papai Noel me deu a paciência para ouvir, a mansidão para falar e a clareza para entender que, no final das contas, todos buscamos a mesma coisa: sermos vistos, ouvidos e amados.


Reflexão FT: "O manto vermelho é pesado, mas o coração de quem o veste deve ser leve. A verdadeira magia não está em descer pela chaminé, mas em subir o nível de esperança no coração de quem já deixou de acreditar."

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