FT 06 – Fronteiras do Tempo: A Sinfonia das Teclas e a Libertação do Pensamento
FT 06 – Fronteiras do Tempo: A Sinfonia das Teclas e a Libertação do Pensamento
Se o Liceu Brasil e a caneta-tinteiro foram o palco da minha luta contra a lateralidade forçada, a descoberta da máquina de escrever foi o meu tratado de paz. Para quem carregava o peso de ser um "ambicanhoto" — desastrado com a força, mas preciso com o pensamento — a transição da tinta para a fita marcou o nascimento do Jorge escritor.
O Fim do Gargalo da Caneta
Escrever à mão era, para mim, um processo de alta latência. Meu cérebro processava ideias na velocidade da luz, mas minha mão direita, forçada e relutante, agia como um gargalo. A luta para manter a caligrafia legível e a mão limpa de tinta consumia 70% da minha energia mental.
Quando toquei as teclas de uma máquina de escrever pela primeira vez, o jogo mudou. O teclado não discriminava entre esquerda e direita; ele exigia a cooperação de ambas. Pela primeira vez, meu lado canhoto podia participar ativamente da criação, batendo o ritmo das consoantes enquanto a direita cuidava das vogais. A máquina de escrever foi a minha primeira interface de integração hemisférica.
Do Telex à Revolução Digital
Essa paixão pela escrita mecanizada acompanhou minha evolução profissional. Na Fone Mat e na Siemens, vi a transição do telex para o computador. Cada evolução tecnológica era uma nova camada de liberdade. No teclado, eu não precisava mais me preocupar com o ângulo da pena ou a pressão do punho.
A "sinfonia das teclas" — aquele click-clack rítmico — tornou-se o metrônomo do meu pensamento. As ideias começaram a fluir sem o filtro da dor física ou do cansaço motor. O engenheiro encontrou na máquina a precisão que a caligrafia lhe negava, e o terapeuta encontrou a fluidez necessária para descrever a alma.
O Blog como o Laboratório Final
Hoje, no Biometrio, o teclado do computador é a extensão direta da minha consciência. Escrever esta biografia e as séries SL e FT só é possível porque a tecnologia removeu a barreira entre o meu "nó neurológico" e a página em branco.
Curiosamente, mesmo sendo um entusiasta da IA e do digital em 2026, guardo um respeito profundo pela mecânica das primeiras máquinas. Elas me ensinaram que, às vezes, para libertar o espírito, precisamos apenas de um mecanismo que entenda o ritmo das nossas mãos — de ambas as mãos.
Reflexão FT: "A caneta-tinteiro tentou me moldar ao padrão; as teclas me permitiram criar o meu próprio ritmo. A verdadeira tecnologia não é a que faz o trabalho por você, mas a que remove os obstáculos entre a sua ideia e o mundo."

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