FT 09 Indice de Nacionalizaçao para o BNDS na CTE2 da CSN

 FT 09 Indice de Nacionalizaçao para o BNDS na CTE2 da CSN


Gerenciando o Gigante: O índice de nacionalização para o BNDES junto à CTE2 da CSN

Muitos me perguntam: "Jorge, como era gerenciar o índice de nacionalização do BNDES sem a internet de hoje?"

Era um mundo de terminais de "tela verde", e poucos computadores IBM de mesa com tela de tubo. A comunicação já era via e-mail, mesmo com internet discada.  Na Siemens KWU, durante a construção da Usina Termelétrica (CTE2) da CSN, eu tinha o papel de assegurar que o índice de nacionalização atingisse pelo menos 60%. Com uma multa de 100 mil dólares por cada dia de atraso, não havia margem para erro. Os contratos eram feitos sempre que possivel com industrias nacionais e era preciso assegurar que os prazos fossem cumpridos na qualidade especificada através de testes de aceitação em fabrica antes da entrega.

A "tecnologia" de gestão daquela época chamava-se Expediting. Isso significava estar presente, acompanhar fisicamente a produção de insumos nacionais, como os transformadores de força e distribuição, garantindo que as especificações e prazos fossem cumpridos à risca. Nossas notas de reunião eram manuais e precisas; anos depois, essas mesmas anotações tornaram-se "biblias" valiosas em disputas de claims (reivindicações contratuais). A gestão era feita no "fio da bigorna", com o rigor da disciplina que aprendi com os mestres formados no ITA.

No Brasil um bom contrato é o que fica na gaveta e as partes procuram resolver tudo amigavelmente. Já na cultura Alemã, o contrato é seguido a risca, palavra por palavra e os inspetores carregam o contrato debaixo do braço e aplicam multas para tudo. Horas de engenharia da Siemens para ajudar a resolver problemas dos fornecedores eram aplicadas com desconto no pagamento dos equipamentos gerando surpresas nas industrias nacionais que não estavam habituadas a este procedimento.

Era preciso muito jogo de cintura da Simens Brasil para intemediar situações entre os fabricantes fornecedores no Brasil e a Siemens AG. Eu ganhei um hábito de carregar um caderno de obras. Um caderno onde se registra tudo na hora, quem falou, o que falou, quando falou e as consequências disso para salvaguardar as responsabilidades e estabeler um rastreio das decisões, pois tudo tinha um custo. O caderno de obra gerava a documentação necessária para prefinir discussões futuras pois contra fatos não há argumentos.

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