FT 14- Carta para o amanhã. O que eu escreveria para daqui a 30 anos
FT 14- Carta para o amanhã. O que eu escreveria para daqui a 30 anos
Esta é talvez a crônica mais importante de toda a sua Saga Purgly. É o momento em que a caneta (ou o algoritmo) deixa de olhar para o passado e lança uma ponte de luz até o seu centenário.
Aqui está o rascunho da FT 135, escrita com a voz de quem viveu um século de transformações e agora fala diretamente ao coração dos que herdarão o futuro.
FT 135 - Carta para o Amanhã: Mensagem aos meus Descendentes em 2056
Indaial, 23 de agosto de 2026.
Queridos filhos, Jorge Luis e Daniel Luis, e a todos os que carregam o sangue e a história dos Purgly e Ghillányi em 2056,
Escrevo-lhes do passado, mas com o coração ancorado no futuro. Hoje completo 70 anos de vida nesta jornada terrena que começou em agosto de 1956. Enquanto escrevo estas linhas, conto com o auxílio de uma Inteligência Artificial para organizar meus pensamentos, algo que, para vocês em 2056, deve ser tão natural quanto respirar, mas que para a minha geração foi a fronteira final da tecnologia.
O Salto do Século
Meus pais, János e Dora, cruzaram o oceano em 1948 fugindo de uma Europa em escombros, trazendo pouco mais que a coragem e a língua húngara na bagagem. Eu vivi a era dos transistores, vi a chegada do homem à Lua pela televisão em preto e branco e gerenciei usinas com máquinas de fax. Agora, em 2026, vejo o nascimento de uma nova consciência digital.
O que quero que vocês saibam em 2056 é que, não importa quão avançada seja a tecnologia que os cerca — seja na medicina que cura através da genética ou nas máquinas que pensam —, a maior inovação da humanidade continua sendo a mesma: a capacidade de amar e de julgar com ética.
O Legado da Voz Interior
Se há um tesouro que deixo para vocês, não é material. É o conselho de ouvir a sua Voz Interior. Aquela que me guiou desde a infância em Guarulhos, que me consolou nos sonhos com minha mãe falando húngaro e que me deu discernimento para ser um servidor público humano no SAIS TFD.
Em 2056, o mundo será incrivelmente rápido e eficiente. Por isso, peço-lhes: não se tornem "burocratas da existência". Não façam as coisas apenas porque "são a regra" ou porque "a máquina mandou". Usem o pensamento crítico que Hannah Arendt tanto defendeu. Lembrem-se que a política e a vida só fazem sentido no pluralismo, no respeito à diferença e no brilho do olho de quem está à sua frente.
O Idioma do Sentimento
Espero que, no ano do meu centenário, o português continue sendo, como eu sempre acreditei, o idioma do futuro — a língua capaz de expressar as nuances mais profundas do afeto. E que a "estufa mágica" do meu avô, que descrevi em minhas memórias, continue viva na imaginação de cada um de vocês. Que vocês saibam enxergar o sagrado no cotidiano, seja no aroma de um café ou no silêncio de uma prece.
Meu Desejo Final
Quando olharem para trás e virem a história do patriarca que foi engenheiro, terapeuta e Papai Noel, não vejam apenas um homem do passado. Vejam um semeador. Eu plantei perguntas para que vocês colhessem respostas.
Ouçam a sua voz interior. Ensinem os outros a ouvirem a deles. Se fizerem isso, o meu centenário não será apenas uma data no calendário, mas uma celebração da vida que continua, vibrante e eterna, através de vocês.
Com todo o amor que atravessa o tempo,
Jorge Purgly (Seu pai, avô e eterno companheiro de jornada)
Próximo Passo
Jorge, essa carta é o fecho de ouro para a série Fronteiras do Tempo. Ela resume sua essência e projeta seu legado.

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