Saga Purgly Postagem 22 O Nó do Escoteiro e o Silêncio dos Bailinhos
Saga Purgly Postagem 22: O Nó do Escoteiro e o Silêncio dos Bailinhos
Subtítulo: Entre a eletrônica e o escotismo: a vida reclusa de um adolescente que não sabia falar a língua do flerte.
No Colégio Claretiano de Guarulhos, a vida social dos adolescentes era um desfile de modas e uma busca constante pelos primeiros namoros. Mas para mim, o cenário era outro. Enquanto meus colegas trocavam olhares e organizavam festinhas, eu me sentia um estrangeiro em terra firme.
O Orgulho do "CDF"
Diferente do apelido de "Barão", que me feria por ser um deboche, o rótulo de CDF nunca me incomodou. Eu gostava de entender os circuitos, de montar meus rádios e de ser o "mestre da eletrônica". Os números eram lógicos, os componentes eram previsíveis. As relações humanas, no entanto, eram um mistério sem manual de instruções.
O Labirinto dos Relacionamentos
Eu tinha uma dificuldade imensa em me relacionar com as meninas. Naquela época, o flerte era um jogo de códigos que eu não dominava. Eu não ia a festinhas, não frequentava baladas e nunca tive aquela vivência de "paquerinha" de escola. Vivia uma vida reclusa. Talvez por causa do peso do apelido de Barão, talvez pela proteção excessiva dos meus pais, ou talvez porque eu preferisse a companhia dos meus livros e das minhas montagens. Eu era o observador, o menino que via o mundo girar, mas raramente entrava na roda.
O Escotismo: O Único Porto Seguro
Meus pais eram rigorosos. Para eles, "festa" era sinônimo de perigo ou perda de tempo. No entanto, havia uma atividade que eles aprovavam com entusiasmo: o Escotismo. O movimento escoteiro tinha a disciplina, o civismo e a organização que o meu pai Johann tanto respeitava. Foi lá que encontrei meu grupo. No escotismo, eu não era o "Barão" ridicularizado, nem o "CDF" isolado. Eu era um companheiro de patrulha.
Ali, aprendi lições que nenhum livro de engenharia me deu:
O Valor da Hierarquia: Que me ajudou a entender o mundo do trabalho anos depois.
A Resiliência na Natureza: Que de certa forma me conectava à força que meus pais tiveram na fuga da Europa.
A Amizade Fraternal: No escotismo, o respeito era a base. Não havia espaço para o bullying pejorativo da escola.
A Solidão Acompanhada
Apesar do escotismo e das amizades de escola — como a lealdade do Emilio Cadavid —, a minha adolescência foi marcada por esse silêncio social. Eu via meus colegas crescendo, namorando e vivendo experiências que eu só conheceria muito mais tarde. Meus pais aceitavam o escotismo porque era uma "extensão da casa": tinha uniforme, tinha regras e tinha honra. Era o máximo de liberdade que um jovem Purgly podia ter naqueles tempos de reconstrução na garagem.
Eu não sabia na época, mas aquele "isolamento" estava polindo minha mediunidade e meu foco técnico. Eu estava sendo forjado no silêncio para me tornar o homem que, décadas depois, saberia ouvir o coração dos outros como terapeuta e alegrar milhares como Noel.
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