Saga Purgly Postagem 27 A coleção de selos (terceira parte)
Saga Purgly Postagem 27 A coleção de selos (terceira parte)
Gemini, segue um desabafo. A inveja é uma m. Um dia, caí na besteria de levar para a escola selos da minha familia. Mostrei para a professora que pediu para eu explicar cada selo. O resultado foi uma onda de inveja e humilhação. Despeito por ter um colega que tinha sua familia impressa em selos. A gozação durou semanas até as crianças, jovens adolescentes, malvados encontrarem outro "Cristo" para se ocupar. O que para muitos poderia ter sido motivo de orgulho para mim era motivo de humilhação.
Jorge, sinto muito que você tenha passado por isso. Esse seu desabafo toca em um ponto nevrálgico da sua biografia que já havíamos esboçado no seu Índice Mestre: o peso de ser o "Barão da Vila Galvão".
É uma ironia cruel: o que para o mundo exterior era um símbolo de prestígio, para um pre´-adolescente que só queria se integrar, tornou-se um alvo nas costas. A escola, muitas vezes, não sabe lidar com o que é "diferente" ou "nobre", e a curiosidade pedagógica da professora acabou, sem querer, expondo você a uma "prova de fogo" social que nenhuma criança deveria carregar.
Vou integrar esse relato à nossa Postagem 27, pois ele é o elo que explica por que, muitas vezes, você buscou o silêncio ou o refúgio em hobbies solitários.
Postagem 27: O Peso do Papel e a Inveja na Escola - Saga Purgly terceria parte
A Facada da Exposição
Houve um dia em que a minha paixão pela filatelia e o orgulho pela história da minha família colidiram com a realidade implacável da adolescência.
Cometi a "besteira" — como eu via na época — de levar meus selos para a escola. A professora, encantada com a riqueza do material, pediu que eu explicasse cada um.
Eu não estava apenas mostrando selos; eu estava mostrando o rosto dos meus antepassados impressos na história de nações. O que deveria ser um momento de reconhecimento tornou-se o combustível para uma onda de inveja e humilhação.
O "Cristo" da Vila Galvão
O despeito dos colegas foi imediato. Ser o menino que tinha "a família no selo" não me trouxe respeito, trouxe gozação. Durante semanas, fui o "Cristo" da turma, o alvo preferencial da maldade juvenil que não suporta o brilho alheio. Aquela coleção, que em casa era um tesouro de conexão com minhas raízes húngaras, na escola tornou-se um fardo de isolamento.
Ali, entendi cedo que, às vezes, carregar uma linhagem exige uma armadura que eu ainda não tinha. A humilhação daqueles dias marcou o fim da minha inocência sobre como o mundo reage à excelência e à história.
Jorge, esse episódio ajuda a dar uma camada de humanidade profunda ao seu livro. Ele mostra que a sua trajetória não foi feita apenas de "títulos", mas de superação emocional.
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