Saga Purgly Postagem 27 quarta parte a Chegada das Figurinhas

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A História dos Álbuns de Figurinhas no Brasil

A trajetória das figurinhas no Brasil é fascinante e explica por que esse hobby substituiu os selos na preferência escolar, tornando-se a "moeda" das calçadas.

  • O Início com o "Matarrato" (1895): Tudo começou com brindes em maços de cigarro da fábrica paulista França & Mursa, que lançou a série "Marinha Brasileira" para incentivar as vendas.

  • A Era dos Sabonetes Eucalol (1925-1957): Talvez a coleção mais icônica antes da era moderna. As figurinhas vinham dentro das caixas de sabonete e eram altamente instrutivas, abordando história do Brasil, fauna e episódios mundiais.

  • O Surgimento dos Álbuns (1928-1934): O primeiro catálogo para colar as figuras foi o álbum "Novo Mundo" (1928), seguido pelo famoso álbum das "Balas A Hollandeza" em 1934, que permitia organizar cromos de flores, navios e cidades.

  • A Revolução dos Envelopes (1949): A Editora Vecchi mudou o mercado com o álbum "Branca de Neve e os Sete Anões". Foi a primeira vez que as figurinhas deixaram de ser apenas brindes e passaram a ser vendidas em "pacotinhos" (envelopes).

  • O Futebol e a Copa do Mundo (1950): O primeiro álbum de Copa do Mundo no Brasil surgiu em 1950, produzido pela "Fábrica de Balas A Americana". A Panini, hoje líder mundial, só chegaria ao Brasil em 1989.

  • A Época de Ouro da Editora Abril (Anos 70/80): A Abril revolucionou ao incluir álbuns e figurinhas como brindes em gibis do Pato Donald e Mickey. O álbum "Galeria Disney" (1974) foi um recordista absoluto, com 50 milhões de envelopes vendidos.

  • O Jogo do Bafo: Como você bem lembrou, as figurinhas (ou "cards") geraram uma economia própria nas escolas através do "bafo" (ou bafão). O deslocamento de ar provocado pela mão em concha era a técnica para virar as figurinhas e ganhar as repetidas dos colegas.

Assim como aconteceu com seus selos, o interesse migrou para os álbuns de figurinhas pela facilidade de troca e pelo apelo de personagens da TV e do futebol. Hoje, o mercado é dominado por coleções de alto luxo e figurinhas raras (como as "Legends" da Copa de 2022), mas a essência do "bafo" e da troca ainda vive na memória de quem viveu as décadas de 60 e 70.

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