Saga Purgly Postagem 27 quinta parte as figurinhas de chicletes

 

Saga Purgly Postagem 27 quinta parte as figurinhas de chicletes



Esta é a peça final que faltava para entender a "economia" das calçadas na nossa infância, Jorge. Se os selos eram a nossa janela para o mundo adulto e diplomático, as figurinhas de chiclete eram a nossa moeda corrente no recreio.

Se a coleção de selos exigia pinças e álbuns luxuosos, a coleção de figurinhas de chiclete exigia mandíbulas fortes e mãos rápidas para o "bafo". No Brasil, essa febre foi alimentada por marcas que se tornaram lendárias.

1. Ping Pong: O Pioneiro e a Natureza

Lançado em 1945 pela Kibon, o Ping Pong foi o primeiro chiclete de bola do Brasil. Ele se tornou uma instituição nacional ao unir o sabor de tutti-frutti com coleções que eram verdadeiras aulas de geografia e esportes:

  • As Copas do Mundo: As coleções de Espanha 82, México 86, Itália 90 e EUA 94 foram febres absolutas. Lembro-me que muitos álbuns eram obtidos enviando cinco embalagens vazias pelo correio.

  • Séries de Natureza: Álbuns como Pantanal (1990) e Amazônia (1991) traziam fotos e informações detalhadas sobre a fauna brasileira, como a onça-pintada e a garça-branca.

2. Ploc: A Rebeldia e os Monstros

O grande rival era o Ploc, da Adams. Enquanto o Ping Pong era mais "educativo", o Ploc apostava no humor e na cultura pop:

  • Ploc Monsters (1987): Foi talvez a coleção mais icônica, criada pelo publicitário Celso Laset Délia. Eram 128 monstrinhos com nomes engraçados que viraram uma obsessão nacional.

  • Ploc Atari (1984): Surfando na onda dos videogames, trazia imagens dos jogos que estavam começando a dominar as salas brasileiras.

3. Buzzy e os Anos 90

Mais tarde, a marca Buzzy (da Riclan) dominou as bancas com licenciamentos de peso que as crianças adoravam, como Pokémon, Barbie, Chiquititas e o eterno Chaves.

O Ritual da Troca e do "Bafo"

Diferente dos selos, que guardávamos com cuidado, as figurinhas de chiclete eram feitas para o combate.

  • O Bafo: A técnica consistia em bater com a mão em concha sobre uma pilha de figurinhas; o deslocamento de ar deveria virar o papel para que você ganhasse a peça do colega.

  • As "Difíceis": Sempre havia aquela figurinha "carimbada" ou rara que ninguém encontrava e que valia por dez outras na hora da troca.

Hoje, ao olharmos para trás, percebemos que essas pequenas figuras colantes não eram apenas brindes. Elas foram o nosso primeiro contato com a gestão de recursos, a negociação e, claro, o prazer de completar um objetivo.

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