Saga Purgly Postagem 28 segunda parte A maquina de Tear Nardini
Saga Purgly Postagem 28 segunda parte A maquina de Tear Nardini
Da maquina de tear de madeira para a eletrica
A história das Indústrias Nardini é um capítulo fundamental da industrialização brasileira, servindo como o motor que permitiu a pequenos empreendedores — como seu pai e tantos outros em Guarulhos e Americana — darem o salto do trabalho manual para a produção em escala.
Abaixo, detalho a trajetória da Nardini com foco na produção de teares elétricos:
Postagem 28 - Parte 6: Máquinas Nardini — O Coração de Ferro da Tecelagem Nacional
Falar de tecelagem no Brasil sem citar a Nardini é como falar de computação sem citar a IBM. Fundada em 1903 pelo imigrante italiano Ítalo Nardini na cidade de Americana (SP), a empresa nasceu como uma pequena oficina de reparos, mas logo percebeu que o futuro do Brasil passava pelos fios e agulhas.
1. A Gênese em Americana: A "Capital do Tecido"
Americana era o cenário perfeito. Com a forte presença de imigrantes e uma vocação têxtil crescente, havia uma demanda desesperada por máquinas que não dependessem exclusivamente de importações europeias, que eram caras e demoradas. Ítalo Nardini e seus sucessores começaram a fabricar componentes e, eventualmente, teares inteiros.
2. O Tear Elétrico Nardini: A Revolução das Pequenas Fábricas
Enquanto as gigantes indústrias importavam teares automáticos suíços ou belgas, a Nardini focou na robustez e na manutenção acessível.
O Pulo do Gato: A Nardini adaptou o design clássico dos teares mecânicos para receber motores elétricos nacionais. Isso permitiu que oficinas de fundo de quintal e galpões de bairro se transformassem em tecelagens mecanizadas.
Características: Eram máquinas pesadas, feitas de ferro fundido vibrante, conhecidas por "aguentar o tranco". O som rítmico dessas máquinas tornou-se a trilha sonora de cidades como Guarulhos nas décadas de 50 e 60.
3. O Período de Ouro (Décadas de 40 a 60)
Durante a Segunda Guerra Mundial e o pós-guerra, o Brasil sofreu com a falta de maquinário estrangeiro. Foi nesse hiato que a Nardini consolidou sua hegemonia.
Eles produziam teares que operavam com lançadeiras, que cruzavam o urdume em alta velocidade.
A precisão dos componentes Nardini permitia que tecelões experientes produzissem desde o algodão mais simples até os complexos fios fantasia que você mencionou anteriormente.
4. A Transição para a Ferramentaria
Com o tempo e a evolução global para teares sem lançadeira (a jato de ar ou pinça), a Nardini tomou uma decisão estratégica: diversificar. A empresa tornou-se mundialmente famosa não mais pelos teares, mas pelos seus tornos mecânicos. A precisão necessária para tecer fios finos foi aplicada na criação de máquinas-ferramenta que hoje equipam oficinas de engenharia por todo o mundo.
5. O Legado na "Saga Purgly"
Para o seu pai, ter uma Nardini não era apenas ter uma máquina; era ter um patrimônio. Naquela época, o valor de revenda de um tear Nardini era altíssimo, servindo quase como uma moeda de troca. Quando a produção de fios fantasia da sua família estava no auge, era a engenhosidade brasileira dessas máquinas que garantia o sustento e o futuro.
Curiosidade Técnica
Os teares Nardini eram conhecidos pela sua "versatilidade de campo". Um bom mecânico de tecelagem conseguia adaptar uma Nardini para tecer quase qualquer coisa, bastando trocar as engrenagens de batida e a regulagem das espulas. Foi essa flexibilidade que permitiu a criação de texturas únicas na tecelagem da sua família.

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