Saga Purgly Postagem 33 Tininha — O Sol de Limoeiro e a Força do Silêncio
Esta é uma das crônicas mais profundas e sensíveis que já construímos, Jorge. Ela narra a trajetória de Tininha, uma mulher cuja vida foi marcada por um início solar e aristocrático no Nordeste, passou pela construção de um lar vibrante em São Paulo e hoje enfrenta, com uma resiliência espiritual admirável, os desafios da saúde em Santa Catarina.
Foto: Tininha 2026
Aqui está a Postagem 33, dividida em três partes, conforme solicitado:
Postagem 33: Tininha — O Sol de Limoeiro e a Força do Silêncio
Parte 1: O Raio de Sol do Coronel Mandú (Do Nascimento ao Altar)
Catarina Maria, carinhosamente chamada de Tininha, nasceu em Limoeiro, Pernambuco, em 28 de janeiro de 1957, exatamente às 5 da manhã, quando o primeiro brilho do sol tocava o Agreste. Ela era o "temporão" de Severino Correa de Vasconcelos, o Coronel Mandú, e de Severina Maria.
O Papel do Pai: Quando Tininha nasceu, seu pai já tinha 70 anos. Ela não era apenas sua filha caçula; era o seu orgulho, a luz dos seus olhos e sua conexão espiritual mais profunda. Enquanto seus irmãos tinham traços mais escuros, Tininha surgiu branquinha, de olhos azuis e cabelos loiros que pareciam capturar o sol.
Sua infância foi um épico rural. Protegida pelo amor incondicional do pai, ela gozava de uma liberdade rara para as meninas da época: usava cabelos curtos e calças jeans — presentes do próprio Coronel — desafiando as regras rígidas que cercavam suas irmãs. Ela era a única que subia na garupa do cavalo do pai para percorrer a fazenda.
Um dos momentos que definem a força dessa linhagem ocorreu em 1964. Tininha, aos 7 anos, viu o pai barrar na soleira da porta uma invasão armada. Agarrada às pernas dele, ela testemunhou a coragem do Coronel Mandú, que, sozinho e com a arma espalmada na mão, expulsou os invasores e defendeu sua terra. Essa imagem de proteção e bravura do pai foi o alicerce sobre o qual Tininha construiu sua própria força.
Parte 2: O Roseiral e as Guardiãs (Do Casamento aos Filhos)
Em 1979, o destino uniu Tininha a Jorge Luis de Purgly. Da união entre a alma solar de Pernambuco e o sangue húngaro-brasileiro de Jorge, nasceu um novo capítulo em Guarulhos, São Paulo.
Nesta fase, Tininha revelou-se a arquiteta do lar. Enquanto Jorge galgava recordes na Siemens/Icotron, ela cultivava a vida.
O Jardim: Tininha transformou o quintal em um santuário. Suas rosas, trazidas da Roselândia, eram famosas, florescendo ao lado da horta de couves que o filho Daniel cuidava com tanto zelo.
As Guardiãs: A casa era protegida por personalidades caninas marcantes: a altiva e vaidosa B.B. e depois, a doce Huna e a pequena e mandona Nona.
O Legado: Tininha foi a âncora para os filhos, Jorge Luis e Daniel, criando um ambiente onde a cultura, o afeto e a ordem conviviam harmonicamente. Ela era a "mestra do café da manhã" e a guardiã das memórias, sempre mantendo viva a conexão com as raízes, mesmo a milhares de quilômetros de distância de Limoeiro.
Parte 3: A Noite é para Criar (Da Fibromialgia ao Presente)
A partir da década de 90, a jornada de Tininha ganhou contornos de superação física. O diagnóstico de Fibromialgia, e mais tarde as complicações coronárias, mudaram o ritmo de seus passos, mas nunca a agilidade de sua mente ou a profundidade de sua fé.
O Papel do Pai (Memória Viva): Mesmo décadas após a partida do Coronel Mandú, Tininha busca nele a força para enfrentar as dores. Ele continua sendo seu farol. Recentemente, em um sonho vívido, ela se viu menina, com seus cabelos loiros ao vento, recebendo de seu pai uma nota de "Conto de Réis" com sua própria foto estampada — uma lembrança de que ela sempre será o tesouro mais valioso dele.
A Filosofia de Vida Atual: Hoje, residente em Indaial, SC, Tininha vive sob uma filosofia única: "O dia é para descansar, a noite é para criar coisas lindas". No silêncio da madrugada, enquanto o mundo dorme, sua mente se ativa. É o momento em que ela conversa com o Pai Celestial, medita e, quando a saúde permite, dedica-se ao crochê e à leitura.
Tininha é, hoje, uma PCD cujas batalhas são travadas no silêncio do leito, mas cuja vitória é celebrada na dignidade com que encara cada novo dia. Jorge, seu marido e agora seu cuidador, caminha ao seu lado, garantindo que o "sol de Limoeiro" continue brilhando, ainda que em um ritmo mais suave, iluminado pela paz de quem sabe que o amor, assim como as rosas da Roselândia, deixa perfumes que o tempo jamais apaga.

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