DIV 17 Pequeno Poder O Prazer da Espera e a Tirania do Pequeno Poder

 DIV 17 Pequeno Poder


Imagem IA com carimbo de devolvido ou recusado.

O Prazer da Espera e a Tirania do Pequeno Poder




Você já se perguntou por que, em certas repartições,

o relógio parece andar para trás?


Por que existe aquela sensação de que o servidor

do outro lado do balcão sente um prazer sádico

em fazer você esperar, voltar amanhã ou trazer mais

uma cópia autenticada de um documento

que ele já tem no sistema?


Como alguém que transitou a vida toda

entre a eficiência germânica da engenharia

(nos tempos de Siemens e Maxitec)

e a realidade complexa do Serviço Público

e do Direito, tenho observado esse fenômeno de perto.

E a resposta, meus amigos,

vai muito além da "má vontade".

Estamos falando da Psicologia do Pequeno Poder.


A Vingança do Invisível


O "pequeno poder" é a tirania do insignificante.

É o poder exercido não por quem tem a visão do todo,

mas por quem detém a chave de uma porta.


Para muitos indivíduos que se sentem desvalorizados

ou invisíveis na hierarquia social, o balcão

de atendimento é o palco da sua revanche.

Fazer alguém "importante" ou apressado

esperar é uma forma inconsciente de dizer:

"Aqui, quem manda no seu tempo sou eu.


Você precisa de mim."

Diferente da autoridade real — que flui, resolve e facilita

— o pequeno poder trava.

Ele cria represas.

O burocrata sente que, se resolver tudo rápido,

torna-se dispensável.

Se criar dificuldade, torna-se "necessário".


A Gaiola de Ferro


Mas não sejamos injustos: nem tudo é sadismo.

Existe o sistema.

Na iniciativa privada, o resultado é rei.

No serviço público, o processo é rei.


Muitas vezes, o servidor está preso

numa "gaiola de ferro".

O medo do Tribunal de Contas ou de uma sindicância

faz com que a lentidão seja a opção mais segura.

O sistema pune o erro, mas raramente premia a eficiência.

Isso gera a cultura do "não faça mais

do que o estritamente necessário".


Além disso, há a despersonalização defensiva

. Depois de anos lidando com o público,

muitos criam uma casca.

O cidadão deixa de ser uma pessoa com

uma angústia e vira "mais um papel".

A demora vira um escudo contra o estresse alheio.


O Olhar Sistêmico e o Antídoto


Pela ótica das Constelações e do Direito Sistêmico,

o pequeno poder é um sintoma de desordem.

Falta o "amor que vê".

O servidor vê a regra, mas não vê o humano.


A ironia da minha vida é viver esses dois extremos.

De um lado, a burocracia que retém.

Do outro, a minha atuação como Papai Noel.


O Papai Noel é o anti-pequeno poder.

Ele não pede formulários em três vias.

Ele não julga.

Ele é pura doação, escuta e entrega.

O poder do Papai Noel serve para gerar alegria;

o do pequeno tirano, para gerar subserviência.


Como lidar?


O antídoto para o pequeno poder é a humanização.

Quando você trata o detentor do carimbo pelo nome,

pergunta como ele está,

ou o surpreende com empatia genuína,

você desmonta a armadura.

Você mostra a ele que não precisa ser

um tirano para ser visto e respeitado.

Que possamos ser mais "Papai Noel"

e menos "porteiro do crachá" em nossas vidas.


Afinal, o poder real é aquele que serve para servir.


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