DIV 18 O descaso
DIV 18 O DESCASO
O Descaso: Uma Ferida Aberta na Sociedade – E o que Podemos Aprender com Ela
Olá, caros leitores do Biometrio!
Quantas vezes já nos deparamos com o descaso? Seja no sorriso amarelo de um atendimento sem empatia, na espera infindável por um serviço essencial, ou na indiferença de quem deveria zelar pelo bem comum. O descaso, essa ausência de cuidado e atenção, é uma ferida que sangra na nossa sociedade, especialmente evidente no serviço público, onde a expectativa de cuidado é muitas vezes esmagada pela realidade.
Minha jornada no Tribunal de Justiça, atuando na conciliação e mediação, me proporcionou um olhar único sobre o descaso. E, ao integrar os princípios do Direito Sistêmico à minha prática, percebi algo profundo: o descaso raramente é um ato isolado de má vontade. Na maioria das vezes, ele é um sintoma.
Sim, um sintoma. Um sinal de um desequilíbrio maior, uma exclusão que ecoa. Quando alguém age com descaso – seja um agente público que negligencia seu dever, ou um cidadão que ignora as leis – ele pode estar, inconscientemente, repetindo um padrão.
É como se o sistema (familiar, social, organizacional) sussurrasse: "Eu não vejo você, porque também não fui visto". A falta de cuidado que se manifesta hoje pode ser um reflexo da falta de pertencimento ou de reconhecimento que o indivíduo ou o grupo experimentou no passado.
Pensem comigo: um servidor público que atende com desdém. Ele está em seu lugar de trabalho, mas talvez não esteja em seu "lugar" interno, emocional. Será que ele se sente valorizado? Reconhecido?
Ou será que ele, por sua vez, reproduz uma indiferença que recebeu de seus próprios superiores, ou até mesmo de seu sistema familiar?
No Direito Sistêmico, entendemos que para curar o descaso, precisamos ir além da mera punição. Precisamos olhar para a raiz da exclusão.
Quem não está sendo visto? Quem não teve seu lugar reconhecido? Qual o desequilíbrio entre o dar e o receber?
Claro, não estou aqui para justificar o descaso, mas para convidar a uma compreensão mais profunda.
Como cidadãos e como profissionais, podemos fazer a diferença ao trazer um olhar mais humano e sistêmico. Q
uando somos atendidos com descaso, podemos tentar ver além da superfície. E, quando somos nós que corremos o risco de agir com descaso, podemos nos perguntar: "O que me impede de dar a atenção e o cuidado que essa situação ou pessoa merece?"
Acredito que, ao iluminar as sombras que geram o descaso, podemos começar a construir relações mais saudáveis e um serviço público mais acolhedor.
Afinal, a justiça não se faz apenas com leis, mas com o coração e a capacidade de ver o outro em sua totalidade.
Qual a sua experiência com o descaso?
Você já parou para pensar no que pode estar por trás dele?
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Um abraço!
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