Capítulo 44: A Gigante Icotron – A Universidade do Chão de Fábrica

Capítulo 44: A Gigante Icotron – A Universidade do Chão de Fábrica
A imersão na precisão alemã e o volume industrial. Com a bagagem inicial da Fone-Mat, o destino me levou para o Sul, para uma experiência que mudaria minha escala de visão: a Icotron. Fundada em 1954 e parte do poderoso grupo Siemens, a Icotron em Gravataí (RS) não era apenas uma fábrica. Era um colosso. Para um engenheiro apaixonado por tecnologia, entrar naqueles pavilhões era como entrar na Disney da eletrônica. Ali, deixei de lidar com projetos pontuais para mergulhar na produção em massa de componentes vitais. Nós fabricávamos o coração dos equipamentos eletrônicos: capacitores eletrolíticos, capacitores de poliéster, semicondutores. O choque cultural foi positivo e imediato. A Icotron respirava a metodologia alemã. Tudo tinha processo, tudo tinha norma, tudo tinha controle de qualidade. Não havia espaço para improviso amador. Lembro-me do cheiro característico da fábrica — uma mistura de verniz, produtos químicos e metal quente — e do som ritmado das bobinadeiras automáticas. Ver milhões de componentes sendo produzidos com precisão micrométrica me ensinou o valor da disciplina industrial. Minha responsabilidade ali cresceu. Eu não era mais um aprendiz. Eu fazia parte de uma engrenagem global. Sabia que um capacitor produzido sob a minha supervisão poderia estar em um rádio na Europa, em uma TV no Japão ou em um equipamento médico nos EUA. A Icotron me deu "cancha". Me ensinou a gerenciar processos complexos, a lidar com equipes grandes e a entender que a qualidade não é um acidente, é uma construção diária. Foi a minha "universidade do chão de fábrica", onde o Jorge Purgly se consolidou como um engenheiro de indústria de ponta.

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