DIV 12 O Crocodilo na Sala de Estar Quando a Bondade Alimenta o Predador

 


DIV 12 O Crocodilo na Sala de Estar  Quando a Bondade Alimenta o Predador

Recentemente, minha grande amiga e irmã de ideais, Rosane, compartilhou comigo um texto traduzido do hebraico que me atingiu como um raio em dia de tempestade. O título é "O Crocodilo de 7 de Outubro".

O texto narra uma antiga fábula sobre uma velha senhora que, por compaixão, alimenta um pequeno e fraco crocodilo. Com o tempo, o animal cresce, fica forte e, inevitavelmente, a devora. A moral é dura, mas clara: a compaixão não muda a natureza de um predador; apenas o torna mais forte.

O autor faz uma análise brilhante sobre a dicotomia em Israel. De um lado, os judeus de origem europeia (Ashkenazi), criados no idealismo do Iluminismo, acreditando que a boa vontade gera boa vontade. Do outro, os judeus do Oriente Médio (Mizrahi), que conhecem os códigos culturais da região e sabem que, em certos contextos, a fraqueza é um convite ao ataque, não à piedade. O ataque de 7 de outubro foi o momento em que o crocodilo, alimentado pela crença ingênua na "coexistência absoluta", mostrou os dentes.

O Crocodilo e a Minha "Mea Culpa"

Ao ler isso, precisei bater no peito e dizer: mea culpa.

Concordei plenamente com o texto não apenas pela análise política, mas porque ele descreve um padrão que repito na minha própria vida. Eu tenho a mania — como a Tininha vive me alertando — de "criar a cobra dentro de casa, embaixo da cama".

É uma característica minha, talvez uma herança do meu próprio idealismo ou da vontade de ver o melhor nas pessoas, que me faz ignorar os sinais de perigo. Já sofri muito com isso na minha vida profissional, confiando em quem não devia, abrindo portas para quem só queria saquear.

E, infelizmente, a vida tem uma didática cruel. Quando penso que aprendi a lição, o teste se repete.

Recentemente, coloquei uma faxineira dentro de casa. Dei acesso, confiei. O resultado? Enquanto a Tininha tomava banho, vulnerável e segura dentro do seu próprio lar, a pessoa furtou toda a coleção vintage de DVDs da minha esposa. Eram itens de valor inestimável, relíquias sentimentais que não se encontram mais por aí.

Fizemos o Boletim de Ocorrência, mas de nada adiantou. O mal já estava feito. O crocodilo, ou nesse caso, a "cobra", agiu conforme sua natureza assim que viramos as costas.

A Lição Que Fica

O texto hebraico alerta que não se trata de ódio, mas de compreender a realidade. A minha experiência doméstica me ensina o mesmo. Não é sobre deixar de ser bom ou generoso, mas sobre deixar de ser ingênuo.

A Tininha, com seu instinto mais apurado (talvez o seu lado "Mizrahi" intuitivo, metaforicamente falando), sempre soube. Eu, com meu olhar "europeu" de que todos seguem as mesmas regras morais, falhei na vigilância.

A lição de 7 de outubro, seja na escala de uma nação ou na escala da nossa sala de estar, é a mesma: não podemos projetar nossa bondade em quem não joga pelas mesmas regras. A confiança é um tesouro que deve ser conquistado, não entregue de bandeja.

Espero que, desta vez, ao olhar para a estante vazia onde estavam os DVDs, eu tenha finalmente aprendido que não se deve alimentar o crocodilo, por mais inofensivo que ele pareça ser no início.

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